08 de julho de 2026
Auto Mercado

Dicas de uso do GPS

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

O equipamento de GPS (Global Positioning System) é um daqueles gadgets que veio para ficar. É de muita utilidade em cidades grandes para achar aquele endereço escondido que ninguém sabe como chegar lá sozinho. Mas esta maquineta não é infalível e depende de quão bom for o mapeamento da região visitada.

O sistema de satélites lhe dá a posição quase exata de onde você está, com margem de precisão cerca de 50 m, devido às restrições militares americanas, que são os operadores do sistema. Mas para nós dá e sobra em viagens e deslocamentos urbanos. Em cidades grandes e bem mapeadas como São Paulo, por exemplo, chega a dar a precisão de na chegada informar que "o seu destino encontra-se à direita" e você para na porta. Em outros lugares, o mapeamento não é tão bom, mas dá uma boa idéia. Aqui em Bauru, temos lugares bem mapeados e outros nem tanto, mas o máximo que ocorre é indicar uma rua e estarmos em sua paralela, nada que o bom senso não corrija nem dá para ficar perdido. Em outras cidades pode acontecer ainda pior, por terem apenas uma referência de mapa ou nem mesmo serem mencionadas, por isso se estivermos confiando cegamente apenas no GPS poderemos nos dar mal.

É sobre esta última situação que vou me referir hoje. No mês passado fiz uma viagem de carro a trabalho para o Rio Grande do Sul e aproveitei para uma semana de férias com a esposa, aproveitando a ida e a volta com calma visitando diversas cidades e locais interessantes no caminho. Fui confiando no GPS desde a saída de Bauru, onde programei basicamente o destino final em Xangrilá, próximo a Capão da Canoa no RS, onde um representante nosso estaria nos aguardando. O problema começou aí. Tenho 2 aparelhos GPS, um de uso da fábrica e outro pessoal, que uso no carro e na moto. Este último, da marca Garmin, já começou nem reconhecendo a cidade de Xangrilá - RS. Mudei então o destino para Capão da Canoa, que é vizinha e ele reconheceu, mas traçou um roteiro me mandando primeiro para São Paulo para lá pegar a BR-116, ao invés de sair de Bauru em direção a Ourinhos e norte do Paraná e pegar a BR já em Ponta Grossa, por exemplo, o que aumentaria o percurso em mais de 400 km. Como percebi que estava errado, mudei as configurações do aparelho e continuou dando um trajeto errado. Isto não é culpa dele nem do processador, mas sim do mapeamento nos estados do sul, como pude comprovar in loco.

Tentei então com o outro aparelho, da marca Mio, que considero também muito bom, pelo menos aqui em SP. Este já reconheceu Xangrilá e traçou a rota por Ourinhos, como eu esperava. Baseado nisso, fiz minha opção por ele e saí em viagem. Foi só entrar no Paraná que começaram os problemas de mapeamento, pois o GPS entrou em loop na entrada de Castro e se perdeu em Ponta Grossa. Estes pequenos erros nos fizeram rodar mais de 150 km de bobeira, perdendo tempo e aumentando o cansaço à toa. Daí para frente, senti que teria problemas e tomei o cuidado de não mais programar o percurso até o destino final, mas em tocadas curtas até um próximo destino conhecido, o que foi a melhor decisão. Já próximo da chegada no RS, o GPS indicou uma saída que encurtava em 30 km o percurso e lá fui eu, só que ele não avisou que era por estrada de terra... Acabamos chegando, mas parei em um bom posto e comprei um mapa detalhado da região sul, que foi a salvação.

Daí para frente, olhávamos no mapa o percurso e programávamos o GPS a partir destas informações, e vimos o quanto defasado estava o mapeamento do GPS. Chegamos a visitar cidades em Santa Catarina como Treze Tílias, por exemplo, que é muito conhecida por turistas, consta em qualquer Guia 4 Rodas mas nem aparecia no mapa do GPS, apenas a estrada de acesso sem nenhuma menção de que vivia gente lá ou que tinha alguma entrada. Em termos turísticos, é inaceitável. Esta cidade não é nenhum distrito ou vilarejo, é um município autônomo com prefeitura, placa nos carros e muita estrutura hoteleira. Minha constatação é a seguinte: no Estado de São Paulo pode usar o GPS em grandes cidades e algumas não tão grandes assim, mas tome cuidado com outras no interior. Se viajar para fora do estado, leve mapas da região para se precaver. Verifique sempre o melhor percurso no mapa e confira no GPS. Se não conferir, faça uma programação mais curta e regional, para não correr riscos.