08 de julho de 2026
Nacional

Senado aprova mínimo de R$ 545

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O Senado aprovou ontem o texto-base do projeto que reajusta o salário mínimo para R$ 545,00. Até o fechamento desta edição, os senadores ainda iriam analisar a emenda do DEM que aumenta o valor para R$ 560,00. A emenda do PSDB que sugeria o valor de R$ 600,00 já havia sido rejeitada.

Uma terceira emenda ainda seria analisada pelo plenário: a que retira do texto a possibilidade do governo reajustar o salário mínimo nos próximos quatro anos automaticamente, por meio de decreto presidencial. A oposição quer retirar o artigo porque argumenta que, pela Constituição Federal, a discussão sobre o mínimo precisa passar pelo Congresso Nacional.

Se essas outras emendas também fossem rejeitadas, como era esperado pelos governistas, o valor de R$ 545,00 passa a vigorar a partir do dia 1 de março - depois da sanção do projeto pela presidente Dilma Rousseff.

A votação do projeto foi simbólica, sem o registro dos votos de cada senador no plenário. As emendas teriam votação nominal, com cada parlamentar registrando o seu voto - o que permitiria ao governo calcular as dissidências dentro da base aliada da presidente Dilma Rousseff.

Os governistas tentavam derrubar todas as emendas para que o texto aprovado na Câmara seja mantido no Senado. Se sofrer mudanças, o projeto tem que retornar para uma nova análise dos deputados.


Protestos


A votação ocorreu sob protestos de sindicalistas, que encheram as galerias do Senado para defender o salário mínimo de R$ 560,00. A oposição também fez discursos calorosos contra o valor proposto pelo governo. Em um dos debates, o senador Itamar Franco (PPS-MG) trocou farpas com o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Itamar disse que uma família brasileira não tem condições de viver com o valor sugerido pelo governo. E relembrou o ex-presidente João Figueiredo. "Uma vez perguntaram para um presidente o que faria com um salário mínimo, sabe o que respondeu?", questionou a Jucá.

O peemedebista respondeu: "que daria um tiro na cabeça". Itamar também trocou farpas com Sarney sobre procedimentos de votação - o que lhe transformou no principal destaque da oposição durante a discussão do salário mínimo.


Aliados


Apesar da ampla maioria governista no Senado, os senadores Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE) e Roberto Requião (PMDB-PR) declararam voto contrário aos R$ 545,00 propostos pelo Executivo. Jarbas apoiou a emenda do PSDB que aumenta o valor do salário mínimo para R$ 600,00. Requião, por sua vez, prometeu aderir à emenda do DEM que eleva o valor para R$ 560,00.

Dilma conseguiu convencer pessoalmente o senador Paulo Paim (PT-RS) a apoiar o reajuste de R$ 545,00. O petista havia declarado voto nos R$ 560,00, mas foi chamado pela presidente na manhã de ontem para discutir a dissidência. Ela teme desgastes no Senado, provocado por membros do seu partido, se não houvesse unidade do PT na sua primeira votação de peso na Casa.

O PDT, que havia anunciado apoio de seus quatro senadores ao valor proposto pelo governo, também contabilizava dissidências. O senador Pedro Taques (PDT-MT) subiu à tribuna da Casa para anunciar seu voto contrário aos R$ 545,00.

Taques relatou que vem sofrendo ameaças desde que manifestou sua intenção de não apoiar o projeto do governo que eleva o mínimo para R$ 545,00. O senador disse que não apoiaria o projeto por ser contra o reajuste automático do salário mínimo, nos próximos quatro anos, por decreto presidencial - o que exclui o Congresso das discussões.