Foi realizada na manhã de ontem, no Lar Escola Rafael Maurício, uma assembleia que tinha como objetivo principal promover a eleição que definiria os nomes da nova diretoria da entidade. Porém, não houve a apresentação de uma chapa sequer para assumir o controle do Lar Escola, que passa por uma crise financeira e administrativa iniciada no começo do ano passado. Devido à ausência, uma outra assembleia foi remarcada para o próximo dia 15.
Até essa data, Edmo Luiz de Almeida Lima continua como presidente do local. "O fato de não ocorrer essa eleição e não definir a diretoria nos atrapalha bastante. Esperamos que, na próxima assembleia, uma chapa seja formada", afirma o presidente, que não tem intenções de continuar no posto.
Para se ter uma noção do problema, completa, a diretoria da entidade é composta por 10 membros. Atualmente, ela funciona somente com dois: o próprio presidente Edmo Lima e o tesoureiro interino Edivaldo Alves Pereira.
Com apenas 12 pessoas, apesar de não ter ocorrido a eleição da nova diretoria, a assembleia foi realizada mesmo assim. Além da presença do departamento jurídico e da administração do Lar Escola, uma representante do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e outros membros também compareceram.
"O Ciesp apresentou alguns projetos para captação de renda imediata. Além disso, algumas pessoas se colocaram à disposição para fazer assistência jurídica voluntária, ajudar nos problemas trabalhistas e até ajudar na parte da administração", explicou o tesoureiro Edivaldo Pereira.
Entretanto, apesar dessas discussões pontuais, o principal objetivo, que eram as eleições da diretoria, não foi obtido. O presidente Edmo Lima aponta que, como virou algo emergencial, quem tiver interesse em compor a chapa deve procurar o setor jurídico e se informar sobre as possibilidades. "Estamos precisando dessa diretoria. É possível que as pessoas se associem à entidade agora e componham a chapa. Não há tempo de filiação", completa.
A chapa deve ser composta por 10 membros: presidente, vice-presidente, primeiro tesoureiro, segundo tesoureiro, primeiro secretário, segundo secretário, procurador e três conselheiros fiscais. A dificuldade em formar uma chapa sequer é fruto dos problemas enfrentados pela entidade, que, de acordo com informações obtidas pelo JC, tem uma dívida em mais de R$ 360 mil em pagamentos a fornecedores, salários dos funcionários e encargos trabalhistas.
Histórico da crise
A crise começou no ano passado com o fim do convênio da entidade com um ambulatório que prestava serviços de audiologia nas dependências do Lar Escola Rafael Maurício e repassava à instituição 20% do faturamento mensal.
Atualmente, o Lar Escola abriga 55 internos do sexo masculino, entre 6 e 45 anos de idade, além de executar projetos com a comunidade de bairros em torno da Vila São Paulo, com repasses da Secretaria do Desenvolvimento Social (Drads) e Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes).
Outro desdobramento da crise ocorreu na escola de ensino especial da entidade que, até o fim do ano passado, atendia a 100 crianças e, agora, está com as atividades paralisadas. Além do problema da falta de pagamento de professores, o ex-presidente da entidade, Rincan Katsuhilo Nagao, não assinou a renovação do convênio com a Secretaria do Estado de Educação, alegando que o projeto gerava prejuízos à entidade.