08 de julho de 2026
Geral

Mudanças devem avaliar o tudo ou nada

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 2 min

Quem não sente na pele a necessidade de uma virada 180 graus (o termo 360º, muito utilizado, significaria voltar ao mesmo lugar) pode até estranhar as atitudes, muitas vezes tidas como radicais, de alguém próximo.

"Internamente, para quem constrói o objetivo de mudar, é até natural e necessária", contempla Sandra Spozzito, psicóloga do trabalho. Ela também aconselha a se alimentar projetos sem partir para o tudo ou nada. As mudanças bruscas, acrescenta, só cabem a episódios que abalem o profissional, como acidentes de trabalho ou reestruturações corporativas que gerem desconforto psicológico.

Contudo, em todos os cenários, o medo de errar existe, mas pode ser vencido com a autoconfiança provinda das habilidades e conhecimento. "As pessoas avaliam o risco que a mudança trará, tanto na parte afetiva quanto material, mas no contexto de que é o único caminho que possibilitará atingir um objetivo de atingir uma satisfação existencial maior", argumenta.

Em alguns casos, contudo, a angústia se transforma em pânico. "Ansioso, o indivíduo se sente no foco do perigo. Já o depressivo, em caso extremo, perde os sonhos", salienta o psicoterapeuta, do Centro de Terapia Cognitiva (CTC) de Bauru.

O principal conselho do especialista é encarar a mudança não como punição e sim como uma grande chance. "É oportunidade de descobrir coisas novas que até então não se imaginava vivenciar. As experiências devem sair da imaginação. O pessimismo só estagna as pessoas", define.

Plenitude utópica

Os psicólogos também lembram que, nesse processo, a dor é um mal necessário. Calma, não se trata de incentivo ao masoquismo, mas sim um lembrete de que nada acontece sem o rompimento da chamada zona de conforto.

"Às vezes, a pessoa percebe que está numa barca furada, mas tem dúvida da própria capacidade. Somos humanos e naturalmente fugimos das dores. Contudo, as dores trazem coisa boa também", ressalva a psicóloga clínica Ana Karina Barbosa.

Enxergar somente o ônus de uma escolha não ajuda em nada. Mentalizar apenas os louros da vitória, idem. "A perfeição existe apenas no mundo das ideias. Não há empresa ou relação perfeita. E está cada vez mais difícil liderar com a frustração, devido à influência da mídia", analisa.

"O mundo da novela é sempre o ideal e ilude, como se aquilo fosse a vida", compara a psicóloga. "É a chamada cisão, dentro da teoria psicanalítica. Se aplica ao movimento de querer só o bom, sem perceber a ambivalência existente em tudo", teoriza.