Josmar Verillo é um plantador de cana da região de Dois Córregos. Optou pela macadâmia para áreas de aclive e declive de sua fazenda. De olho no aproveitamento total das terras, ele prevê que em cinco anos vai colher cerca de 20 mil quilos da noz, uma vez que plantou dois mil pés e cada árvore dá uma média de 10 quilos.
"Escolhi a macadâmia para uma área separada do canavial. Estou fazendo uma experiência para ver como ela se comporta.Tenho algumas áreas que são mais difíceis para a colheita mecânica, são espaços mais inclinados."
Segundo ele, a cana não deixaria de ser plantada, mas ocuparia apenas os espaços onde a colheita automatizada se torna viável. "A queima da cana acaba em 2013, 2014. Como a máquina colheitadeira não entra nesses locais, fui buscar alternativas para o aproveitamento máximo da propriedade."
O fazendeiro explica que poderia ter optado por outra cultura que não a noz, mas após investir foi estudar o assunto. Descobriu que a macadâmia, no futuro, terá espaço garantido na alimentação do brasileiro. "Fui buscar informações sobre o mercado e percebi que há uma procura grande por macadâmia. Estou apostando no futuro. Só daqui há cinco anos é que vamos colher."
Na escolha pela plantação de noz, o fazendeiro pesou também os cuidados com a planta. "Ela requer um pouco de cuidado no início da plantação, na fase que estou agora. Tem que ter adubação cuidadosa nos primeiros seis meses, uma vez por mês tem que adubar. Não pode ficar em área alagada, ou área onde empoça água. Os cuidados bem tradicionais da agricultura. Mas, depois que ela passar desse estágio dá pouquíssimo trabalho."
Verillo frisa que, com dois ou três anos de idade, a macadâmia exige apenas uma pequena adubação anual. "Adubação de cobertura, coisa simples. Também tem que manter a área limpa. É muito fácil de cuidar. Começa a produzir com cinco anos e produz por cerca de 40."
A expectativa dele é que com a divulgação das propriedades terapêuticas, a noz será adotada na alimentação. "A população está buscando cada vez mais adotar uma alimentação saudável. O ser humano tem que ter uma equilíbrio de ômega 3, 6 e 9. A alta porcentagem de ômega 6 acelera o envelhecimento.
A macadâmia tem baixa concentração de ômega 6 e alta de 3. Na alimentação moderna, a população ingere 30 vezes mais ômega 6 do que seria necessário para o corpo."
Para ele, a população mundial está acordando para as propriedades e benefícios da macadâmia. "Está havendo uma corrida para o plantio da noz porque há mais demanda que oferta. As empresas brasileiras deixam de exportar por falta da matéria-prima. Se tivesse macadâmia disponível, o mercado absorveria", prevê.
Ela comenta que engana-se quem pensa que a noz é consumida apenas como alimento. "Há fabricantes de cosméticos utilizando a macadâmia para produção de diversos produtos voltados à beleza e saúde. Ela ajuda também na circulação sanguinea."
A macadânia, na opinião do agricultor, dá a oportunidade de consorciar. "Minha atividade principal é cana e a macadâmia proporciona uma boa combinação de aproveitar toda a propriedade. Tudo o que for produzido será comprado por uma empresa de Dois Córregos, já assumi esse compromisso. Eles é que processam e exportam."
Para ele, o rendimento da cana empata com a da macadâmia. "Hoje a cana tem uma certa estabilidade. A macadâmia gosta de temperaturas mais amenas, prefere locais mais altos. Estou plantando em uma área com 770 metros de altura."
Fazendeiro apostou na ideia
O fazendeiro Edwin Montenegro Filho apostou na ideia da plantação consorciada. Plantou, no início deste ano, 30 mil pés de café e mil pés de macadâmia, em suas terras no município de Dois Córregos. A expectativa dele é colher 50 sacas de café e 10 quilos de noz por árvore.
"O café começa a produzir em 18 meses, já a macadâmia demora cerca de cinco anos. Estou começando a trabalhar nesse projeto. Na região de Bauru, há plantadores em Garça, por exemplo, que já estão colhendo, com pomares que já têm seis anos."
O fazendeiro achou interessante a plantação consorciada. "Eu não era plantador de café e tão pouco de macadâmia. Achei interessante como alternativa de diversificação. Uma forma de driblar as crises do setor agrícola. A opção é apropriada para o local."
Na opinião dele uma cultura pega carona na outra. "Viabiliza ambas as atividades. Com a diversificação acaba tendo uma produção maior."
Ele acha cedo para se posicionar a favor ou contra o sombreamento da macadâmia sobre o café. "Não dá para falar que será bom para o café. Ainda é cedo para verificar alguma mudança na cultura do grão. Eu acredito que é o consórcio é uma possibilidade de ter uma receita extra."
Nozes pelo mundo
Um passeio pelo mundo mostra que em cada país há um tipo de nozes. Consumimos algumas delas sem saber de onde vieram. No Irã é o pistache, na Turquia é produzida 60% da avelã. Nos Estados Unidos têm a amêndoa. Na Carolina do Norte/Sul, Georgia é a noz pecã. Na China é a pinholis.
No Brasil, em alguns estados há nozes diferentes. No Ceará é a castanha de caju, no Rio Grande do Sul, a noz pecã. No Amazonas se produz castanha do pará. No Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, a macadâmia. No Pará tem a pecanita.
"No Brasil, a noz macadâmia tem sua origem na Australiana se adaptou bem na região onde tem o café, São Paulo, no sul da Bahia e no norte do Paraná. Ela chegou em 1935 e ela deu grande salto a partir dos anos 90", comenta José Eduardo Camargo.
O plantio comercial brasileiro começou na década de 70. O País figura em sétimo lugar do ranking mundial, embora possua a quarta maior área plantada, concentrada nos Estados de São Paulo e do Espírito Santo.
Rica em antioxidante
A macadâmia é uma planta nativa na Austrália e conhecida internacionalmente por ser rica em ácidos graxos, antioxidantes que reduzem os níveis de colesterol, retardam o envelhecimento e protegem o sistema cardiovascular.
Pode ser ingerida na forma doce e salgada. É usada na formulação de produtos de beleza, em sorvetes, barras de chocolares e biscoito ou como aperitivo quando torrada e salgada.