Diariamente lemos, vemos e ouvimos através da imprensa - local, regional ou nacional - comentários e críticas postadas por cidadãos, relatando as mazelas dos serviços públicos que, com raras exceções, são corretas e contundentes. O contribuinte está em seu pleno direito em apontar os erros e descasos a que é submetido quando busca a prestação do serviço público que lhe é - ao menos em tese - garantido na forma da lei. Saúde, Educação, Segurança, serviços de Obras Públicas diversas (asfalto, esgoto, galerias, iluminação, etc) lhes são garantidos e regulados por vários mandamentos legais. Relembrando edições antigas desses meios de comunicação, constatamos quase que as mesmas denúncias de descasos. E constatamos, também, as mais variadas explicações prestadas pelos representantes dos poderes públicos à época dos fatos - e em nível municipal, estadual e federal.
As tragédias ocasionadas pelo descaso governamental, com suas obrigações em relação à sociedade, são fenomenais. Perdem-se vidas porque verbas foram desviadas, ou deixaram de ser aplicadas como deveriam, em áreas críticas como Saúde, Segurança e em obras públicas ambientais. A da Educação, primordial na formação cidadã de todas as pessoas, foi direcionada na fabricação de indivíduos competidores, industrializados pela psicologia contemporânea, relegando ao último plano os ensinamentos básicos, humanitários, que alicerçam uma sociedade sã.
As barbáries que assomam os noticiários já não assustam a grande maioria das pessoas. Tornaram-se rotineiros, não mais provocando arrepios ou revoltas. Tudo se tornou "comum". Ocorre a tragédia, em seguida vem o espanto. Aí surge o "responsável de plantão" daquele órgão público, dando-nos explicações esdrúxulas - que chegam a nos causar uma "indigestão mental". Quando não há nem explicação esdrúxula, recorre-se à famigerada estatística, comparando-se dados entre épocas distintas. Nesses casos, a estatística, maquiada a seu favor, é a ferramenta perfeita para encobrir a ausência de competência. E aí a grande maioria se conforma.
A máquina pública de informação é bem preparada, para os casos de alguns "deslizes administrativos". Mascara a incompetência de seus órgãos em gerir certas situações que chegam ao conhecimento público, fornecendo então respostas desprovidas de quaisquer veracidades. Emitem "notas oficias", muitas delas risíveis. Tudo num movimento orquestrado, tudo para garantir imaculada a imagem do governante de plantão, bem como a de seus vassalos. Vemos isso com freqüência, noticiados pela Imprensa e, muitas vezes, com anuência de uma parcela dos seus meios de comunicação , haja vista as generosas verbas publicitárias com que são agraciados. Propositalmente, o melhor meio de se fazer esquecer um problema é divulgar um outro, nem que seja "artificial". Um escândalo posterior absorve o anterior. Assim, dia a dia, os velhos "problemas insolúveis" são arrastados para os próximos "responsáveis de plantão".
Diante da máxima, perpetrada há décadas pela maioria de nossos governantes, de que "não vamos resolver os problemas do mundo", para eles o mundo tornou-se um problema. Como já previa uma canção - lá pelos idos dos anos setentas - a sociedade tornou-se um grande parque de diversões industrializado.
Walter Cesar Bernardinelli