São Paulo - Um avião procedente de Roma pousou no aeroporto de Cumbica, em São Paulo, na manhã de hoje, trazendo brasileiros que partiram da Líbia nos últimos dias. Ali Raad, 32 anos, José Morivaldo de Melo, 55 anos, e Eduardo Chaalan Bitar, 36 anos, funcionários da construtora Andrade Gutierrez, deixaram o país africano Anteontem.
"O aeroporto (de Trípoli) estava muito lotado, caótico", relata o economista Raad, que trabalhava havia um ano na Líbia como gerente de compras. "Foi muito difícil sair de lá. Conseguimos fechar o nosso escritório (no país). Nossos operários, que são do Vietnã, embarcaram conosco (para Malta)". De lá, foram à Itália.
Melo, há um ano e nove meses na Líbia, relata que viu, nos últimos dias em Trípoli, pessoas comprando mantimentos e as ruas da cidade ficando vazias. As únicas cenas de violência que presenciou foram no aeroporto, segundo ele um "caos absoluto", com policiais agredindo pessoas. Bitar, que passou pouco mais de 11 meses na Líbia como funcionário da área financeira da Andrade Gutierrez, conta que presenciou "um caos humanitário" e que no centro da cidade e em pontos específicos fora da capital havia "um embate complicado".
"Vimos o Exército passar. Ficamos tensos. Desde segunda-feira, ouvíamos barulho de tiros, bombas. Mas não cheguei a ver mortos".
O administrador conta que foi para a Líbia motivado pela possibilidade de viver "uma experiência internacional". "É um país em desenvolvimento, seria como o Brasil de 40, 50 anos atrás." Com o crescimento da onda de violência na Líbia registrado nos últimos dias, Bitar afirma que "não via a hora de voltar para casa, voltar para o Brasil".