08 de julho de 2026
Internacional

Direitos Humanos da ONU suspende Líbia

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Nova York - A Assembleia Geral da ONU aprovou ontem a suspensão da Líbia do Conselho de Direitos Humanos (CDH). É a primeira vez que um membro do CDH é suspenso.

O regime de Muammar Gaddafi é acusado de matar mais de mil civis desde o início dos protestos contra o governo, no mês passado.

A suspensão foi aprovada por consenso pelo órgão de 192 países (eram preciso apoio de dois terços). O Brasil foi um dos copatrocinadores da resolução.

Isso não quer dizer que todos os países eram favoráveis: Cuba, Nicarágua e Venezuela, por exemplo, manifestaram ser contra.

A entrada da Líbia no CDH ocorreu no ano passado, aprovada por 155 países.

Na semana passada, o Conselho de Segurança aprovou sanções contra o país, como o congelamento de ativos financeiros de Gaddafi.


EUA pressionam


As pressões contra a ditadura líbia não partiram apenas do organismo multilateral. Os EUA também elevaram o tom contra o regime.

A embaixadora americana na ONU, Susan Rice, disse que o país vai continuar agindo "contra Gaddafi até que ele saia do poder e permita que os líbios se expressem livremente e determinem seu próprio futuro??.

E a secretária de Estado, Hillary Clinton, alertou em fala ao Congresso para o risco de guerra civil longa se Gaddafi não deixar o governo e reiterou que todas as opções, inclusive a militar, estão na mesa.

No Pentágono, o secretário da Defesa, Robert Gates, afirmou a jornalistas que os militares "estão tentando dar ao presidente (Barack Obama) o maior espaço possível para uma decisão de ação".


Navios no Mediterrâneo


Navios norte-americanos estão se movimentando para perto da Líbia para se preparar para contingências de natureza humanitária, disse um porta-voz da Casa Branca ontem.O porta-voz Jay Carney afirmou, no entanto, que "não estamos tirando quaisquer opções da mesa".

Ele acrescentou que o círculo interno do líder líbio Muammar Gaddafi deveria "pensar duas vezes" sobre continuar apoiando-o. Manifestantes da Líbia exigem a saída de Gaddafi, no poder há 41 anos, e têm sido reprimidos com violência.

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Agora, EUA querem investigar
papel de Gaddafi em Lockerbie


Washington - O governo do presidente Barack Obama irá investigar as suspeitas de que o ditador líbio, Muammar Gaddafi, teria ordenado o atentado aéreo de 1988 em Lockerbie, na Escócia, disse a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, a parlamentares. A Líbia admitiu em 2003 seu envolvimento na explosão de um avião da Panam, que matou 259 pessoas a bordo e 11 no solo. Gaddafi, no entanto, nunca foi diretamente responsabilizado.

"Vamos acompanhar isso", disse Hillary ao receber uma carta assinada por parentes de duas vítimas, pedindo que os EUA continuem investigando o caso.

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Rebeldes enfrentam ofensiva de Gaddafi no oeste


Trípoli - O ditador líbio, Muammar Gaddafi, lançou ontem uma ofensiva na parte oeste do país, em um esforço para reverter o avanço dos rebeldes da oposição que já controlam a faixa leste do país. Moradores relataram batalhas com tropas leais a Gaddafi em Nalut, Misrat e Zawiyah.

Moradores disseram que forças pró-Gaddafi se mobilizaram para reafirmar o controle de Nalut, a cerca de 60 quilômetros da fronteira com a Tunísia, e impedir que ela caia em poder dos rebeldes.

As forças de Gaddafi reforçaram ainda sua presença na remota localidade de Dehiba, também na fronteira com a Tunísia, e decoraram o posto de passagem com as bandeiras verdes do regime.

Forças leais ao ditador líbio lançaram ainda uma batalha de seis horas na madrugada de ontem para tentar reconquistar a estratégica Zawiya, apenas 50 km ao oeste da capital Trípoli. Gaddafi chegou a ameaçar bombardear os opositores em Zawiya, segundo o canal de TV Al Jazeera.