09 de julho de 2026
Política

Pressão é por renúncia de Sakai

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

A falta de disposição dos vereadores de Bauru para ocupar a vaga deixada por José Roberto Segalla (DEM) na segunda secretaria da mesa diretora da Câmara revela a pressão que deve correr pelos bastidores políticos nos próximos dias para que Roberval Sakai (PP) renuncie à presidência do Legislativo.

Foi, no mínimo, constrangedor o momento em que, após quase três horas de paralisação da sessão, reuniões a portas fechadas e articulações mal sucedidas, Sakai chamou ao microfone do plenário lideranças dos 11 partidos representados na Câmara, que se negaram a indicar um nome para a segunda secretaria.

PSDB, PPS, DEM, PDT, PMDB, PT, PV e PSB abriram mão de possíveis indicações. O vereador Carlão do Gás (PR) não poderia assumir o cargo por ser suplente. Além disso, o próprio PP de Sakai não poderia ajudá-lo, pois o outro vereador da legenda já ocupa o posto de primeiro secretário da mesa. O presidente não pode contar ainda com a manifestação do PTB, pois Luiz Carlos Barbosa não participou da sessão de ontem.

Sem alternativas para dar continuidade aos trabalhos, Sakai encerrou a sessão, transferindo-a para a próxima segunda-feira. No intervalo de uma semana, o pepista precisa convencer algum parlamentar a assumir a segunda secretaria. Caso contrário, mesmo existindo judicialmente, a mesa diretora fica impedida de conduzir discussões e votações em plenário.

Diante disso, crescem as possibilidades de que Sakai renuncie ao cargo, ocasionando a dissolução da mesa e a convocação de novas eleições. Outra possibilidade que pode gerar essa situação é a renúncia de Carlinhos do PS (PP) ao cargo de primeiro secretário. A possibilidade, nesse caso, é pequena, pois o vereador faz parte do mesmo partido do presidente, mas não pode ser descartada devido a fortes possíveis pressões. Já a renúncia do vice-presidente, Moisés Rossi (PPS), em nada afetaria a composição da mesa, como prevê o regimento interno.

Apesar da eleição de Sakai ter sido viabilizada pelo apoio da oposição, Rossi acredita que o presidente terá que buscar apoio da base governista, da qual faz parte atualmente, para resolver o problema. "É uma situação desagradável para a Câmara e tudo vai depender se outros vereadores voltarem atrás do posicionamento atual. Se manter o estado em que está agora, a única solução seria a renúncia", pondera.

Marcelo Borges afirma que o presidente escolheu um lado e agora precisa buscar sustentação na base do prefeito para conseguir governar. "Ele foi eleito pela oposição, mas mudou de posição", afirma o tucano, que diz ainda não saber se o impasse culminará na renúncia de Sakai.

Os vereadores da situação, por sua vez, não querem pagar a conta por um desacordo por parte da oposição. O líder Renato Purini (PMDB) diz que a situação comprovou a falta de legitimidade do presidente em relação a Câmara e fala em rompimento institucional. "Para nós, a eleição da mesa terminou no dia 15 de dezembro e nós a perdemos", ressalta.

Fabiano Mariano (PDT) afirma que a base governista não tem qualquer comprometimento com a mesa diretora. "A gente planta o que colhe", filosofou, referindo-se a Sakai, embora negue retaliação ao afastamento do presidente da base na ocasião da eleição da mesa.

Por sua vez, Roque Ferreira finaliza que, em situações como essa, a melhor saída é a renúncia. "Esse caso mostra, mais uma vez, a necessidade de discutirmos com profundidade o parlamento e sua função", concluiu.

____________________

Presidente da Câmara rechaça renúncia


Mesmo após o episódio que tornou público o isolamento de Roberval Sakai frente à presidência da Câmara, o vereador presidente nega veementemente a hipótese de renunciar ao cargo. "Isso de jeito nenhum. Eu até estranhei a situação ocorrida na Casa, mas vamos dialogar com os vereadores e tentar chegar a uma solução", acredita. Sakai não acredita que a falta de nomes para ocupar a segunda secretaria não tem qualquer relação com a falta de legitimidade da mesa diretora. "Eu não tenho culpa de nada. O vereador Segalla assumiu seu compromisso e fez um excelente trabalho. O vereador que, a principio, iria assumir já havia me dito que não o faria. Agora vamos procurar saídas. Se eu tivesse mais um vereador do PP, tenho certeza de que o problema estaria resolvido, mas respeito a posição dos partidos", afirma. Quando questionado sobre a suposta mudança de posicionamento da oposição para a situação, Sakai respondeu que, caso votar por um projeto beneficiando 68 mil pessoas é ser governo, então ele o é, referindo-se à aprovação em primeira discussão do programa de refinanciamento fiscal (Refis), na sessão do dia 25 de abril.