10 de julho de 2026
Nacional

PDT fica fora de reunião com aliados

Folhapress
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Brasília - A presidente Dilma Rousseff impôs um inédito veto à participação do PDT na reunião realizada ontem no Palácio do Planalto com os líderes aliados da Câmara. O veto foi um recado para mostrar a insatisfação com sigla, do ministro Carlos Lupi (Trabalho), que defendeu salário mínimo de R$ 560,00, e não os R$ 545,00 definidos pela equipe econômica.

O ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, disse que o encontro foi para líderes que "estavam 100% afinados com o governo".

Deputados disseram que a presidente não falou sobre o assunto durante o encontro, mas que agradeceu a "unidade" e o bom desempenho" nas últimas votações da Casa, principalmente na que aprovou a política de valorização do salário mínimo até 2015, há duas semanas.

À reportagem o líder do PDT, Giovanni Queiroz (PA), disse ter ficado "muito confortável" com o fato de não ter sido convidado para a reunião com Dilma. "Se fosse convidado, não iria mesmo. E seria indelicado recusar um convite da presidente."

Dos 26 deputados federais do PDT presentes na sessão na Câmara, nove votaram contra o governo.

Apesar da situação, o deputado disse que a ausência do PDT não significa que o partido está fora da base aliada do governo. "Nós somos aliados, não subordinados."

O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical e principal defensor de um salário acima dos R$ 545,00 do Executivo, não quis falar ontem. Na página na Internet da Força, porém, ele publicou um artigo intitulado "Decepção com o início do governo", no qual critica Dilma.

Mas diz que, "apesar disso, o movimento sindical não pretende romper com a presidenta". Em uma entrevista ao portal Terra Magazine, o deputado foi ainda mais duro: "Se o PT abandonou os trabalhadores, a culpa não é nossa. Manda o PT se f... Estou de saco cheio deles já".

Na Câmara, o governo conseguiu aprovar salário de R$ 545,00 com larga margem de votos e com o total apoio do PMDB. No PT, foram apenas duas traições. No Senado, a apoio majoritário se reproduziu com poucas defecções. A lei, inclusive, já foi sancionada.

Durante a reunião de ontem, Dilma informou que pretende, a partir de março, retomar as reuniões do Conselho Político, fórum utilizado pelo ex-presidente Lula para manter uma ponte com aliados do Legislativo.


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Dilma corta gastos com viagens, diárias e locomoção de funcionários


Brasília - Depois de o governo registrar um aumento de 32% nas despesas com passagens aéreas apenas nos dois primeiros meses deste ano, a presidente Dilma Rousseff assinou ontem um decreto que corta pela metade os gastos com viagens, diárias e outras despesas de locomoção de seus funcionários. O corte será de 25% para funcionários das áreas de fiscalização. Também foram proibidos contratos novos para locação, compra e reforma de imóveis e aquisição e aluguel de veículos e máquinas e equipamentos.

O decreto procura atender à determinação da presidente de "fazer mais com menos". A economia decorrente dessa medida, porém, é modesta. De acordo com o decreto, os gastos com viagens somarão R$ 1,159 bilhão este ano. É um valor pequeno, considerando que o governo tem o desafio de enxugar seus gastos em R$ 50,1 bilhões.

O decreto sugere, porém, que havia muito a moralizar nesse campo. Nos corredores dos ministérios, comenta-se que as diárias de viagens ao Exterior são uma forma de engordar o salário dos funcionários mais graduados.

Desde ontem, as viagens passarão pelo crivo dos ministros. Segundo a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, informou na última segunda-feira, as viagens eram autorizadas por funcionários de nível hierárquico mais baixo. Ela não disse, mas isso normalmente permite que as despesas corram mais frouxas. Centralizar a decisão no ministro de cada pasta é uma forma de apertar o controle.

Para que essa centralização não se transforme em um problema de gestão para os ministros, eles estão autorizados a delegar a tarefa de controlar viagens ao secretário-executivo, que é uma espécie de vice-ministro normalmente encarregado das atividades administrativas da pasta. O controle poderá ser feito no máximo pelos secretários nacionais, um grau hierárquico abaixo.

Há, porém, viagens que terão de ser autorizadas exclusivamente pelos ministros. Isso será feito no caso do servidor que ficar fora mais de dez dias corridos ou 40 dias intercalados. Também será preciso quando mais de dez funcionários forem para um mesmo evento.

A Controladoria-Geral da União (CGU) divulgou ontem dados que mostram o descontrole na aquisição de passagens aéreas. Por exemplo, no trecho Brasília-São Paulo, um dos mais utilizados, a CGU encontrou variações que vão de R$ 50,00 a R$1.123,00. Nesse caso, a variação porcentual entre o menor e o maior valor pago é de 2.146%.