09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Música de brincadeira é coisa séria


| Tempo de leitura: 3 min


No ultimo domingo, dia 27, tive o prazer de assistir ao show Música de Brinquedo, da Banda Pato Fu e, confesso, fiquei deslumbrada com tamanha simplicidade e visão de marketing da Banda. Como bem disse Fernanda Takai, o público era composto de antigos apreciadores da banda e de seus filhotes, é certo que também tinha outras pessoas, muitos jovens, para nossa felicidade, apreciando as músicas de bom gosto, e o show com inúmeros instrumentos e miniaturas, com direito a explosões de papel colorido, serpentina, e dois monstros ao fundo, agradaram em cheio, os filhotes, digo, as crianças. O show atendeu os pais (inclusive a mim), com músicas que marcaram a década de 70 e 80 época de nossa adolescência, e aos filhos maiores, com músicas do próprio Pato Fu, que só tem 19 anos (também jovem!), bem como aos pequenos, com os instrumentos em miniaturas, ursinhos que falam, e sons diferentes!

Você (pai e mãe) se lembra de Rock and roll lullaby? Com certeza, ainda mais se você curtia um dançar de rosto colado; impossível não voltar ao tempo de adolescência, quando sofremos por um amor platônico, e só de ouvirmos a música já púnhamos a nos imaginar dançando longamente com um príncipe encantado, por horas. E Fernanda Takai não parou por aí, Love me Tender, do inesquecível Elvis Presley, foi de matar; atire a primeira pedra, a adolescente dos anos 70 que nunca chorou com essa música. Que saudades da vida escolar, sem compromisso e responsabilidades, quando o maior problema era não saber dançar, ou não ter coragem de chamar alguém pra dançar, ou, pior ainda; não ser chamada pra dançar, já que nós, hoje mulheres maduras, naquele tempo tínhamos que ficar esperando, esperando.. e nem sempre o príncipe nos escolhia, a própria Fernanda disse que nunca era chamada pra dançar, até essa emoção ela compartilhou com o público.

Cantou também "É primavera", melhor que a Vanusa, e Pelo Interfone, do Richhie (lembram-se dele... o abajur cor de carne, o lençol azul..) e fechou a sessão deixando os pais quarentões, cinqüentões, com Live and Let Die, do maravilhoso Paul Mccartney; Bohemian Rhapsody; do estupendo Freddie Mercury; e finalmente a música "Todos estão Surdos", do então rebelde Rei Roberto e seu amigo Erasmo Carlos. Ficamos impávidos e, ao mesmo tempo, deslumbrados! Mas nem tudo foi "fossa", músicas como Sonífera Ilha, Frevo Mulher, Ovelha Negra, e as mais recentes, Eu, Sobre o tempo, Ska, Perdendo os dentes, fizeram com que todos dançassem, pais, filhos, namorado(a) dos filhos, crianças. Para os pais, uma sensação de que não estamos tão velhos; afinal, nossos filhos sabem as mesmas músicas que nós! Para os filhos: "Nossa, minha mãe sabe essa música?" E para as crianças, "Meus pais, gostam de músicas de pular!"

Enfim, conseguimos por um momento compartilhar do mesmo gosto musical (coisa difícil hoje em dia) da mesma felicidade de cantar, dançar, junto aos nossos filhos. Foi um momento mágico para nós, quarentões e cinqüentões. E tudo isso regado com muita simpatia da banda, da timidez da Fernanda, de sons inimagináveis e dos instrumentos mais incríveis, como uma bexiga comprida, girando e produzindo um som com o ar, além de duas músicas em japonês interpretada e tocada lindamente pela banda.

Toda a tecnologia e trabalho desempenhado pelos músicos, todo trabalho para dar vida aos monstros, ao ursinho (que não era amigo do ursinho do Toy Story), o da banda é bonzinho; da adaptação dos instrumentos e dos músicos, mas para mim mais uma vez se confirmou que não precisamos importar musicais, peças teatrais pra que as crianças se divirtam, temos coisa muito boa, aqui, pertinho de nós. Tudo infinitamente trabalhoso, mas incrivelmente simples, como a música Simplicidade diz: Quanto mais simples, melhor o nascer do dia, e eu acrescento, melhor é a vida.


Élida T.M.Yonamine - jornalista