10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Álcool e gasolina: os mais altos da história

Por Vitor Oshiro | Com Redação
| Tempo de leitura: 6 min

Os proprietários de veículos de Bauru estão enfrentando uma situação de limite. A alta do etanol registrada nos últimos meses elevou o preço do litro a R$ 1,99 na cidade. Tal valor, que sempre foi visto como sinônimo de barato com o "boom" das lojas de atacado, equipara o álcool ao preço mais alto já registrado na história da cidade. E para quem tem automóvel bicombustível, não adianta recorrer à gasolina. "Carregado" pela elevação do etanol, o preço da gasolina também subiu e chegou a R$ 2,69, valor considerado recorde histórico em Bauru.

E a situação, que já é alarmante, pode piorar. Para o empresário do ramo Edivaldo Tuschi, a tendência é que os preços subam cerca de R$ 0,20 ainda neste mês. Segundo ele, o álcool pode chegar a R$ 2,09 - preço já cobrado na Capital - até o fim de março, o que também elevará ainda mais a gasolina.

As marcas históricas que preocupam os consumidores foram levantadas a pedido da reportagem pelo Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), que relaciona o aumento justamente ao período de entressafra da cana-de-açúcar, matéria prima álcool, e também à alta internacional do açúcar no mercado.

"A safra começa em abril e até lá os preços vão continuar subindo. Porém, a situação está tão difícil que tenho informações de usinas que pretendem começar em 20 de março. Mas não é só isso. Em janeiro, o açúcar subiu 22% em dólar no mercado internacional. Então, muitos produtores optam por produzir açúcar e deixam o etanol de lado", explica o presidente do Sincopetro, José Antônio Reghine.

Tais questões econômicas e agrícolas resultam em diferenças no bolso do consumidor. A entressafra, que elevou o preço do álcool para R$ 1,99 em bombas de postos de combustíveis da cidade, também reflete diretamente na gasolina.

Pouca gente sabe, porém, a gasolina tem 25% de álcool anidro em sua composição e, por isso, o preço desse combustível também é alterado. Segundo Reghine, a gasolina atingiu seu preço recorde em Bauru.

"Eu me lembro que, em 2007, o litro da gasolina chegou a custar R$ 2,59. Foi o maior valor já registrado nas bombas da cidade até então. Agora, em R$ 2,69, esse combustível chegou a um valor histórico para a cidade".

A disparada do preço do álcool começou em setembro do ano passado. Na ocasião, o litro custava R$ 1,38 para o consumidor. "A informação que temos das distribuidoras é que o etanol está em falta. O que elas nos passam é que, basicamente, o produto não existe mais. Por isso, os preços passam a ser aumentados justamente para conter o consumo", aponta Tuschi.


Preço de custo


Segundo os empresários, o valor assustador que aparece nas bombas de combustíveis começa com a elevação do preço de custo, ou seja, do que os proprietários de postos pagam às distribuidoras.

"Ontem (anteontem), teve distribuidora trazendo álcool aos proprietários de postos em Bauru pelo preço de R$ 1,83. É o patamar mais alto já atingido", explica o presidente do Sincopetro, José Reghine. Empresários ouvidos pela reportagem apontam que, antes desse valor, o maior preço de custo já registrado em Bauru havia sido de R$ 1,62 pelo litro.

Segundo Reghine, a margem para a "sobrevivência" dos empresários do ramo é acrescentar R$ 0,30 a cada litro do álcool, o que não vem ocorrendo justamente pela crise enfrentada pelo setor. "Se fossem colocar essa margem, o preço do álcool estaria em R$ 2,13", completa, apontando que a alta gera reflexos negativos tanto no bolso dos consumidores quanto para os proprietários de postos de combustíveis.

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Consumidores se assustam com o aumento


Conforme noticiado pelo JC há exatamente uma semana, o preço do álcool já havia subido para R$ 1,89. Na ocasião, tal valor havia criado uma nova preocupação no orçamento dos motoristas. Agora, o novo reajuste de R$ 0,10 assustou ainda mais os consumidores.

"R$1,99?". Foi a pergunta espantada do técnico em telefonia Jaime Sanchez, 39 anos. Ele veio de São José do Rio Preto e, lá, pagou R$ 1,74 pelo litro de álcool. "Eu realmente me surpreendi com esse valor. Viajo bastante e, com isso, meu bolso sente mais ainda. Vou ficar em Bauru até domingo e vou sofrer com isso", lamenta.

Já o vendedor Edson Tayar, 60 anos, foi mais crítico. Questionado sobre o aumento, logo disparou: "Pra variar, né? Cada dia está mais difícil. Entra governo e sai governo e a situação sempre é a mesma. Sobe alguns centavos que parecem pouca coisa, mas no fundo, faz uma grande diferença no nosso orçamento".

A reportagem visitou também um posto que ainda estava com o combustível a R$ 1,89. No local, a gráfica Tereza Felipe da Silva Cardoso, 51 anos, abastecia o veículo e, mesmo com este valor, também reclamou. "O preço está terrível e só sobe, enquanto o salário da gente continua o mesmo. Encho o tanque duas vezes por semana porque trabalho em outra cidade. Sinto muito no meu bolso esses valores altos".

Entretanto, Tereza vair ter motivos para reclamar ainda mais. Segundo o gerente do posto de combustível em questão, já no dia de hoje o estabelecimento também adotaria o valor do litro do álcool de R$ 1,99 e da gasolina a R$ 2,69.

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Faça as contas


Mesmo com o aumento expressivo do preço de ambos os combustíveis, quem possui os chamados carros flex ainda precisa se atentar para o que é mais favorável. Ou melhor, o que é menos prejudicial ao bolso.

Para se chegar a essa conclusão, é preciso fazer uma conta aritmética. O consumidor deve dividir o preço do litro do álcool pelo preço da gasolina. Se o resultado for maior que 0,7, deve optar pelo segundo combustível. Se for inferior, é melhor ficar com o álcool.

Se for considerado o preço atual em questão do álcool a R$ 1,99 e da gasolina a R$ 2,69 registrados em Bauru, o valor deste cálculo é 0,73, o que significa que quem quiser fazer economia deve encher o tanque com gasolina.

"Nos meus postos, o consumo de gasolina superou o dobro o do álcool. 50% usam gasolina, 25%, álcool e 25% utilizam o diesel", aponta o empresário Edivaldo Tuschi.

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Ano difícil


Mesmo com o começo da safra da cana-de-açúcar em abril, 2011 deve ser um ano bastante complicado para o setor. Pelo menos é o que aponta o empresário do ramo Edivaldo Tuschi.

Segundo ele, o preço médio deve ficar em R$ 1,50. "Há o fato justamente do aumento do preço do açúcar no mercado internacional. Assim, é bem provável que o etanol ainda fique em relativa falta por um bom tempo, mesmo com a entrada da safra".

E, com isso, sempre aparecem aqueles estabelecimentos que tentam tirar vantagem da situação. Caso verificado um preço muito diferente do que é cobrado pela maioria, o consumidor deve ficar atento justamente para não cair no adágio do "barato sai caro". Uma das orientações é consultar o site de Agência Nacional de Petróleo (www.anp.gov.br), que realiza levantamentos de preços semanais, e verificar a média praticada na cidade.