09 de julho de 2026
Bairros

Dengue: Saúde avalia estado de emergência

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 6 min

A dengue em Bauru já é considerada uma epidemia e os números de casos não param de aumentar. Na manhã de ontem, a Secretaria Municipal da Saúde informou em nota que foram confirmados mais 56, ou seja, são 111 novos registros em dois dias. No total já são 390 casos, sendo 387 autóctones e três importados. Hoje, as secretarias de Saúde, Obras, Meio Ambiente, Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) estarão reunidas para estudar medidas mais drásticas de combate à doença, incluindo a possibilidade de decretar estado de emergência na cidade.

A soma desses dados alarmantes se deu nos dois últimos dias. A pasta ainda levanta quando essas pessoas foram infectadas. Os bairros que continuam no ranking dos mais infectados continuam sendo Parque Santa Edwirges, com 58 casos, e o Parque Jaraguá com 55.

Quando menos esperava, por morar em um condomínio de classe média alta, Reinaldo Munhoz, 49 anos, contraiu dengue. "Eu não sei como foi, mas de um dia para o outro, há aproximadamente 11 dias eu comecei a sentir os sintomas: febre alta, dores pelo corpo, nuca, indisposição, falta de apetite. Fiz o exame e foi confirmada a dengue", contou.

Mas antes dele, a primeira vítima da picada do mosquito Aedes aegypti infectado com o vírus da dengue foi a esposa Rosângela Munhoz, 47 anos. O casal ficou abalado com o que estava vivendo.

"Nós nunca imaginávamos que seríamos infectados. Não sabemos o porquê, mas o condomínio está infectado de pernilongos. Estou fazendo um controle diário de plaquetas porque a minha doença foi bem grave. Não chegou a ser constatada dengue hemorrágica, mas o meu número de plaquetas estava bem baixo", contou.

Não muito longe dele, a vizinha Zilá Soucheff, 56 anos, o filho Paulo Soucheff, 21 anos, e a mãe Iby Soucheff, 86 anos, além de sua secretária também adquiriram a patologia. "O meu filho foi o primeiro a pegar. No dia seguinte eu comecei a sentir os sintomas. É terrível. O problema não somos nós, mas talvez os nossos vizinhos que não tomam cuidado para evitar criadouros", afirma Zilá.

Ela revela que dificilmente vê os agentes da vigilância epidemiológica passando por lá e reclama que o possível foco de reprodução do mosquito Aedes aegypti pode ser um pequeno córrego que passa dentro da mata localizada do lado de fora do condomínio. "Ali fica na divisa do condomínio. Pode ser que os mosquitos estejam se reproduzindo lá, porque aqui no condomínio o pessoal não costuma acumular entulho", acrescentou.

O fato é que só neste local foram nove casos confirmados de pessoas infectadas, segundo Reinaldo Munhoz. Ele cobra uma mobilização dos vizinhos e medidas mais drásticas e eficazes da Secretaria Municipal da Saúde.

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Criadouro na praça?


Uma denúncia feita por Carlos Alexandre de Carvalho, da ONG Resgate de Bauru, apontou a Praça do Líbano, localizada no cruzamento das avenidas Rodrigues Alves e Nações Unidas, como um possível criadouro da larva do mosquito Aedes aegypti. Uma foto recente feita por ele mostra as fontes da praça cheias de água suja acumulada e larvas que ainda se mexiam.

A equipe de reportagem do Jornal da Cidade esteve no local na tarde de ontem, mas as fontes já estavam devidamente limpas e não havia nenhuma larva ali depositada. Quem vistoria esses locais é o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), que comunica ao Departamento de Água e Esgoto (DAE) a necessidade de limpeza.

Até o fechamento dessa edição não havia sido esclarecido se realmente as larvas eram do mosquito transmissor da dengue.

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Sem barreiras


O secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, destaca que a decretação de estado de emergência quebra uma série de barreiras, principalmente com relação à contratação de efetivo adicional por não ter que passar, por exemplo, por um processo de licitação, que é caracteristicamente moroso.

"A Sucen fornece indivíduos capacitados exclusivamente para a aplicação do inseticida. Ela já informou que uma vez decretado estado de emergência também fica mais fácil mobilizar recurso como por exemplo não precisar licitar as contratações adicionais. A decretação de emergência nos dá condições para que isso possa ser feito", destacou.

Monti explica que apesar do número de casos ter quase dobrado de um dia para o outro, não se sabe ainda quando eles foram contraídos, o que é muito importante para afirmar uma possibilidade da epidemia na cidade estar se alastrando desenfreadamente.

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Reunião


A reunião que acontecerá entre as diversas pastas municipais no dia de hoje, sem horário definido até ontem à tarde, deve discutir a real situação que vive Bauru com relação a esta epidemia. Segundo o secretário municipal da Saúde, Fernando Monti, será abordado também neste encontro a possibilidade de decretar estado de emergência.

"Realmente, esse aumento é uma ocorrência bastante anormal, elevada e preocupante. Amanhã (hoje) haverá uma reunião das secretarias com a Emdurb. A decretação de emergência é um aspecto que pode ser facilitador para as medidas que nós temos que tomar. Mas nós temos que discutir conjuntamente todas as ações primeiro", revela Fernando Monti.

O titular da Secretaria Municipal de Saúde diz que, possivelmente, a pasta terá que mobilizar mais efetivo nesse processo tanto para a nebulização com inseticida quanto para o processo de limpeza.

"Nós estamos chegando à capacidade máxima com o pessoal que temos na Saúde. Então vamos mobilizar efetivo de outras secretarias, mobilizar recursos até mesmo com a possibilidade de chamar ajuda junto ao setor privado", acrescentou.

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Período de incubação da doença é de 3 até 15 dias


A dengue está se alastrando em Bauru e, por mais que se pense "nunca vai acontecer comigo", é necessário sempre estar atento. A patologia, mesmo em sua forma clássica, é uma doença séria, avalia o Ministério da Saúde. O período de incubação varia de 3 a 15 dias.

Os sintomas mais comuns são febre, dores no corpo, principalmente nas articulações e dor de cabeça. Também podem aparecer manchas vermelhas pelo corpo e, em alguns casos, sangramento nas gengivas. A primeira atitude que deve se tomar é procurar um serviço médico e não ingerir qualquer tipo de medicamento, mesmo para dor, sem orientação de um profissional.

A pessoa que adquire a patologia fica imune a este vírus pelo qual foi infectada, no entanto fica ao mesmo tempo suscetível a outros três vírus que causam a mesma doença. Uma complicação da dengue pode matar, portanto, é necessário seguir à risca todas as orientações médicas e fazer muito repouso.

Segundo o secretário municipal da Saúde, Fernando Monti, geralmente quando se adquire dengue, o número de leucócitos e plaquetas no sangue pode diminuir. No entanto, ele esclarece que não necessariamente a doença evolui para dengue hemorrágica, pois depende muito de cada quadro clínico.

Vale ressaltar que os infectados pelo vírus devem sempre utilizar repelente para diminuir o risco de outro mosquito transmitir a doença a pessoas que convivem em um mesmo ambiente.