Brasília - O Produto Interno Bruto (PIB) - soma das riquezas - do Brasil cresceu 7,5% em 2010, maior taxa desde 1985, o que alçou a economia do País à posição de sétima maior do mundo. Entre as grandes nações ricas e emergentes, a expansão brasileira só perdeu para as registradas por China e Índia no ano passado.
Mas essa é uma fotografia do passado: desde o segundo semestre, o cenário é de desaceleração e projeções já indicam uma expansão abaixo de 4% em 2011. Parte do crescimento de 2010 se deveu ainda à fraca base de comparação de 2009, quando o PIB, deprimido pela crise, caiu 0,6%. Difícil será expandir a economia neste ano sobre o elevado crescimento do ano passado e num cenário de aperto das políticas monetária e fiscal para conter a inflação crescente.
A subida no ranking foi comemorada ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. A meta do governo Dilma Rousseff é concluir o seu mandato com o Brasil na 5.º posição.
O cálculo do ministro sobre a posição brasileira é baseado no critério de Preço, Paridade e Poder de Compra (PPP), utilizado normalmente pelos economistas levando em consideração os diferentes custos de vida e taxas de inflação dos países, ao invés de apenas converter os valores em moedas locais para uma comum, como o dólar.
Mantega afirmou que os dados são preliminares, calculados pelo governo brasileiro. Mas a estimativa vai de encontro aos rankings elaborados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela Central de Inteligência Americana (CIA) que, utilizando projeções para o ano de 2010, já colocavam o Brasil no sétimo lugar mundial segundo este critério. Em ambas as classificações, o País fica atrás - nessa ordem - de Estados Unidos, China, Japão, Índia, Alemanha e Rússia.
No entanto, quando considerado o PIB nominal do País convertido em dólares, o Brasil ocupa a oitava posição em 2010, tanto na lista do FMI quanto da CIA. Por esse critério, as economias francesa e britânica ainda são maiores que a brasileira, ocupando a quinta e a sexta colocações, respectivamente. Além disso, pelo ranking nominal, o País está à frente da Índia e da Rússia, mas ainda é ultrapassado pela Itália.
Se considerado o PIB nominal per capta, ou seja, dividindo a soma da produção total de bens e serviços de um país pela sua população, o Brasil despenca em todos esses rankings. Segundo as projeções do FMI, o País ocupa a 55.ª posição nesse critério, enquanto para a CIA, estaria na 60.ª.
Mantega afirmou ainda que o Brasil ajudou outros países a saírem da crise financeira por meio do aumento das suas importações. Ele destacou que as compras internacionais subiram 36,2% em 2010, ante uma alta de 11,5% nas exportações. Segundo o ministro essa disparidade reduziu o superávit comercial do País.
Segundo ele, o Brasil teve o quinto maior crescimento do grupo de países que compõem as 20 maiores economias do mundo (G20), atrás de China, Índia, Argentina e Turquia.