Ontem, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou 45 novos casos de dengue. A soma desde o início do ano chega a 435 registros. Mas esses números não foram suficientes para a decretação do estado de emergência na cidade, discutido ontem à tarde durante reunião na prefeitura. Apesar dos alertas feitos pelo secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, favorável ao "decreto", o prefeito Rodrigo Agostinho se posicionou contra a medida, que para ele é precipitada .
A primeira ação definida durante o encontro foi criar uma comissão para a operação de combate que será feita em Bauru, a fim de eliminar inicialmente criadouros e, em seguida, atacar o mosquito vetor Aedes aegypti com nebulização. Farão parte da comissão Mário Ramos, da Secretaria de Saúde; Antônio Oliveira Filho, de Obras; Sidnei Rodrigues, da Semma, e outros dois representantes ainda não definidos da Emdurb e do Departamento de Água e Esgoto (DAE).
O objetivo da comissão será "organizar as ideias" e fazer com que a força-tarefa tenha uma estratégia a ser cumprida em cada bairro atingido com mais eficácia. Entretanto, já existe um empecilho para o início da operação, que é o feriado prolongado do Carnaval, pois os funcionários públicos municipais só voltarão a trabalhar na quarta-feira após as 12h. O outro é a espera pela estiagem e tempo firme.
"Quando chove em períodos e não o tempo todo, como está acontecendo, é pior porque o trabalho acaba sendo perdido. Com a chuva, o veneno dispersado pelo nebulizador decanta e, se venta, ele se espalha", diz Monti.
Terrenos
Outra grande preocupação discutida foram os terrenos baldios, que segundo o prefeito Rodrigo Agostinho, somam aproximadamente 50 mil lotes. Ficou definido que essa operação começará no dia 14 com a retirada de lixo nesses locais, onde pode haver grandes focos de reprodução do mosquito Aedes aegypti, levando-se em consideração que uma simples tampa de garrafa pet pode tornar-se um criadouro.
No entanto, na próxima quarta-feira, às 14h, novamente esses representantes das secretarias estarão reunidos no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) para alinhar os últimos detalhes da megaoperação.
Ficou definido ontem que a Emdurb fornecerá dois caminhões, sendo um basculante e outro com carroceria, para ajudar no recolhimento de lixo, e o DAE fornecerá outro. O secretário municipal de Obras, Eliseu Areco Neto, justificou que não consegue dispor de horas a mais de seus maquinários para ajudar no transporte de lixo recolhido na megaoperação, porque todos estão em obras de pavimentação, terraplanagem e de galerias.
"Eu tenho que liberar um aditivo de hora/máquina que eu tenho que colocar para trabalhar agora. Nós estamos trabalhando ainda nas pavimentações e terraplanagem. O que podemos fazer em relação às empresas terceirizadas, em setores que nós estamos contratados, é que esse pessoal pode colocar maquinário para poder dar acesso a algumas ruas. Isso nós vamos conseguir", justificou Areco.
Participaram da reunião de ontem Heloísa Lombardi, diretora do Departamento de Saúde Coletiva de Bauru; Mário Ramos, veterinário da mesma repartição; Valcirlei Silva, secretário municipal do Meio Ambiente; Eliseu Areco Neto, secretário municipal de Obras; Nico Mondelli Júnior, presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb); André Andreoli, presidente do DAE; Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil de Bauru, entre outros funcionários das pastas.