São Paulo - As escolas de samba Vai-Vai e Rosas de Ouro foram as que mais animaram o público nas arquibancadas do sambódromo do Anhembi durante o primeiro dia de apresentações do Grupo Especial de São Paulo. A escola do Bixiga foi a quarta a entrar no sambódromo e a agremiação da Freguesia do Ó foi a sexta a desfilar.
Sob a garoa fina e 18 graus de temperatura, às 23h30 de sexta-feira, a Unidos da Peruche abriu o desfile do Grupo Especial do Carnaval paulistano com enredo em homenagem ao centenário do Teatro Municipal. O samba "Abram-se As Cortinas! O Espetáculo Vai Começar" empolgou a plateia e os integrantes mostravam-se afinados, mas dois carros alegóricos quebraram e não conseguiram entrar na avenida.
Logo depois veio a Tom Maior, com "Salve Salve São Bernardo, Pedaço do Meu Brasil", em homenagem à cidade da região metropolitana de São Paulo, berço do sindicalismo. A escola reservou um espaço no último carro alegórico para o ex-presidente Lula e sua mulher, Marisa Letícia, mas o casal declinou do convite. Também causou polêmica o projeto de levar uma suçuarana, uma jaguatirica e uma iguana à passarela - o Ministério Público não gostou e a escola teve que voltar atrás, sob ameaça de pagar multa de R$ 10 mil.
A Acadêmicos do Tucuruvi, terceira a desfilar, fez um tributo aos migrantes nordestinos em São Paulo, com "Oxente, O Que Seria da Gente sem Essa Gente?". Antes do samba, porém, mestre Adamastor pegou no microfone e fez um discurso veemente contra o preconceito, revelando que a escola recebeu ameaças nos últimos dias. "Ainda há muitas pessoas preconceituosas no nosso País. Desde que escolhemos esse tema, recebemos várias ameaças de retaliação. Mas somos sambistas, somos valentes!", disse.
A quarta escola a entrar na avenida foi a Rosas de Ouro, que completou 40 anos de história com o enredo "Abre-te Sésamo, a Senha da Sorte", representando a sorte em diversas culturas e épocas. Do alto dos carros alegóricos eram atirados serpentinas, chuvas de prata, fogos de artifício e até biscoitos da sorte aos foliões.
Os sinalizadores de fumaça verde que surgiram logo depois na plateia revelavam o DNA de torcida organizada da quinta escola que chegava - a Mancha Verde. O enredo "Uma Ideia de Gênio" trouxe ao sambódromo as criações de Leonardo da Vinci e Thomas Edison, além de uma ala representando a invenção do cinema.
Por volta das 6h, quando já era dia no Sambódromo, entrou a Vai-Vai, homenageando o pianista e maestro João Carlos Martins - um ponto de contato entre o erudito ao popular. A plateia, que já demonstrava cansaço, levantou para aplaudir e cantar o samba-enredo "A Música Venceu". Na bateria, um detalhe cromático: todos usavam perucas crespas e negras, à exceção de um senhor com cabeleira lisa e branca no meio - o próprio maestro, sorridente.
Muitas pessoas aproveitaram o fim do desfile da Vai-Vai para ir embora, e quando a Pérola Negra - última escola do dia - entrou, a arquibancada já estava vazia. A escola trouxe o enredo bíblico "Abraão - o Patriarca da Fé" e, em respeito ao tema, não desfilou com passistas nus. Às 8h30, a última ala passou na avenida. Seguida pela "Rainha dos Garis", que roubava aplausos sambando com aqueles que varriam a passarela.