Com tempo seco e casa cheia - a Polícia Militar estima que 20 mil pessoas lotaram a arquibancada do Sambódromo municipal -, a segunda noite do desfile das escolas de samba e blocos carnavalescos de Bauru foi marcada por grande agitação do público, empolgação das agremiações e tranquilidade no recinto e entorno, sem ocorrências registradas ao menos até por volta das 23h.
A única nota baixa da noite ficou por conta da ausência da escola de samba Mocidade Independente de Vila Falcão, que apesar de ter confirmado participação, de acordo com a organização do evento, não enviou representantes ao Sambódromo e será punida no Carnaval de 2012, adiantou, ainda na passarela do samba, o secretário municipal da cultura, Elson Reis .
A exemplo do desfile de domingo, as alas foram abertas com as performances do "Rei Momo" Luiz Fernando Ferreira de Lima, ao lado das rainhas do Carnaval, Francina Manson do Nascimento, e da Diversidade, Laetra.
Com o enredo "Boêmio Até o Amanhecer", o bloco "Pé de Varsa" apresentou carro abre-alas alusivo a um bar, com direito a freguesia ilustre. Na figura de "boêmio", o locutor Tobias Ferreira Gomes Filho, o "Tuba", com grande história no Carnaval bauruense, não escondeu a emoção de, apesar de figura presente em diversos desfiles anteriores, estar pela primeira vez num bloco.
"Adorei. Tive que desfilar sentado porque ainda me recupero de um AVC que sofri. Sou filho de carnavalesco e sempre amei essa festa", emociona-se, logo após a dispersão da agremiação em que desfilou. "Espero que esse retorno do Carnaval no Sambódromo dê certo. É um espaço que merece ser valorizado, foi o segundo sambódromo a ser construído no País, atrás apenas da Marquês de Sapucaí", incentiva.
Na arquibancada, que no início do desfile apresentava espaços vazios, mas que ficou totalmente tomada conforme o desfile evoluía, o público queria mais é festejar, independentemente de qual agremiação mostrava seus passos e cores na passarela do samba. "Gosto tanto da Beija-Flor quanto da Ouro Verde, vou torcer pelas duas", empolga-se a jovem Jheniffer Cristina Damião, de 16 anos, moradora do Jardim Ouro Verde.
Apesar de lamentada pelo público, a ausência da Mocidade também não chegou a desanimar os foliões, garante até mesmo quem de costume desfila ou aplaude a escola ausente. "Sempre saímos por ela, sou Mocidade", orgulha-se Sandra Aparecida Síria, de 46 anos. "Mas a festa é a mesma, o povo fica de qualquer forma", considera a foliã.
Confirmada a baixa, o bloco Ouro Verde 100% Arte - Yauaretê restabeleceu o samba na passarela, após cerca de uma hora de vazio deixado pela escola ausente. Com criatividade, os cerca de 100 componentes da agremiação entoaram o enredo "Vamos Salvar o Planeta", com fantasias e alegorias concebidas por material reciclável, entre eles um carro improvisado com bonecos feitos de galões de água usados.