09 de julho de 2026
Bairros

Missas marcam início da Quaresma e da Campanha da Fraternidade

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Papel amassado, latas velhas, embalagens descartáveis e muito plástico. Toda essa sujeira estava no chão da Paróquia Universitária na missa realizada na noite de ontem. Porém, tal cenário não significa descaso com a igreja. Muito pelo contrário. A situação simbólica exaltou o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, que foi lançada oficialmente ontem e ainda marcou as celebrações de início da Quaresma.

A Campanha da Fraternidade está em sua 47ª edição e tem o tema "Fraternidade e a Vida no Planeta". Exatamente com o lema "A criação geme em dores de parto", o objetivo da campanha, que é coordenada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), é discutir os rumos do planeta e conscientizar o homem sobre como ele se relaciona com o meio ambiente.

Além da Paróquia Universitária, outra celebração que movimentou a cidade foi a Missa de Cinzas, realizada na noite de ontem na Catedral Divino Espírito Santo. A cerimônia foi concelebrada pelo bispo dom Caetano Ferrari e pelo pároco Marcos Pavan.

Para o bispo, a presença da igreja católica atuando no tema do meio ambiente mostra como a religião está próxima da sociedade e, com isso, como pode resultar em inúmeras posturas práticas na população. "Queremos mostrar como as pessoas podem assumir atitudes no cotidiano que mudem e façam a diferença na questão do meio ambiente. Iremos tentar conscientizar em assuntos como reciclar, o uso da água, não poluir, consumo moderado e ainda na onda do descartável", explica dom Caetano Ferrari.

Ainda segundo ele, a campanha é aberta a todas as pessoas que queiram ajudar no tema, inclusive de outras religiões. "O movimento é aberto. Queremos conscientizar a todos. Independente da religião, quem quiser ajudar pode se juntar a essa campanha", convida o bispo.

Dom Caetano, entretanto, pede que a questão social não seja esquecida. De acordo com ele, "não é possível pensar só no planeta e esquecer das pessoas que estão sofrendo. É preciso ouvir o grito dos pobres e excluídos também. A Quaresma é o período em que olhamos para Cristo, porém, que precisamos também olhar para as pessoas e ao planeta".

Consumismo

Pouco antes da celebração da missa na Paróquia Universitária, o pároco do local, Enedir Moreira, afirmou que a escolha desse tema é muito pertinente ao momento. "A igreja convida todos os segmentos da sociedade para se engajar a essa conscientização. A Quaresma, que se inicia hoje (ontem), traz uma postura de jejum que deve ser encarada mais do que propriamente do modo alimentar. Deve ser vista como uma postura crítica frente ao consumismo".

Segundo o padre, tal consumismo é exatamente uma das causas que prejudicam o meio ambiente. "A Quaresma é um período de purificação ideológica. Então, é preciso fazer uma reflexão a respeito de tudo. A Campanha da Fraternidade se intensifica nesse período e mostra a presença da Igreja no mundo. Mostra que sempre temos que nos aproximar e não nos afastar da sociedade", completa.

Durante a missa, ao som de uma música cujo refrão exclamava "vai depender só de nós", os fiéis recolheram todo o lixo espalhado propositadamente pelo chão da Paróquia Universitária.

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Meio ambiente

A causa ambiental é debatida e discutida pela maioria dos setores da sociedade civil nos últimos tempos. Com a Campanha da Fraternidade de 2011, o apoio da igreja católica nessa questão é visto como um grande ganho a possíveis soluções nessa problemática.

Para o ambientalista Klaudio Cóffani, a maior vantagem é a abrangência que a igreja tem para a conscientização. "Nós, ambientalistas, recebemos o tema com muita felicidade. A igreja atinge todas as classes sociais e, com isso, pode conscientizar de forma bem concreta e consciente".

O ambientalista acredita que, apesar de englobar várias faixas etárias, as ações práticas de conscientização surgirão mais nos adultos. Segundo Cóffani, "os principais desafios a serem debatidos nessa campanha, com certeza, são as causas do aquecimento global e das mudanças climáticas".

Esta não é a primeira vez que a Campanha da Fraternidade aborda o tema meio ambiente. Em 1979, a campanha discutiu "Preserve o que é de todos"; em 2004, "Fraternidade e Água ? Água, fonte de vida"; e, em 2007, a Amazônia foi lembrada: "Fraternidade e Amazônia - vida e missão neste chão".

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Fiéis apoiam destaque para o meio ambiente

Pouco antes da celebração na Paróquia Universitária, parecia que o clima de conscientização em relação ao meio ambiente galgado neste ano com a Campanha da Fraternidade já havia se instalado entre os fiéis.

A dona de casa Jussara de Oliveira, 50 anos, afirma que sempre separa o lixo para a destinação correta. "Além de fazer a coleta seletiva, eu nunca jogo óleo pela pia. O ideal, na verdade, não seria uma campanha para isso. É um comportamento que todos deveriam ter. Mas, como isso não ocorre, acho muito importante a igreja trabalhar esse lado", aponta.

A aposentada Selma Souza, 53 anos, também diz tomar cuidados com a separação do lixo, entretanto, para ela o essencial deve ser a limpeza nas ruas. "Eu ando muito pela cidade e vejo aquele monte de sujeira nas bocas de lobo. Depois, escuto falar das inundações. As pessoas têm que se conscientizar que não podem jogar lixo nas ruas".

Além do problema com o lixo, nas 41 paróquias, que compõem a Diocese de Bauru, serão trabalhados assuntos com foco em interesses e necessidades do município, como o esgoto da cidade. Para promover a conscientização, cada paróquia fará um trabalho na comunidade em que está inserida, mapeando problemas dos respectivos bairros. Após isso, o tema será discutido em palestras e nas próprias missas.