10 de julho de 2026
Regional

Trem ?atropela? carro e mata motorista em São José do Rio Preto

Por José Luiz Lançoni | Diário da Região
| Tempo de leitura: 4 min

São José do Rio Preto - O professor de educação física, Silvio Pereira, 43 anos, morreu na manhã de ontem, em São José do Rio Preto, quando o carro que dirigia foi arrastado por 100 metros por um trem. O impacto da batida fez com que ele quebrasse o pescoço. O cruzamento da linha férrea onde ocorreu a colisão, na rua Antônio Frederico Germano, Jardim Soraya, é sinalizado, mas não tem cancela.

Pereira dirigia um Corsa a caminho do trabalho na hora do acidente. O carro foi atingido na lateral direita e arrastado pela composição, que seguia de Araraquara para Alto Taquari-MT.

O motorista ficou preso no carro e morreu no local. O corpo passou por exame no Instituto Médico Legal (IML) para se saber a causa oficial da morte. Ele trabalhava como orientador no Centro de Reabilitação Renascer, que fica a 20 metros da linha. Segundo testemunhas, chovia e o maquinista não teria acionado o apito ao se aproximar do cruzamento.

Já o operador da composição da América Latina Logística (ALL), Carlos Alberto Tassi, 28 anos, disse à polícia ter apitado várias vezes e acionado os freios para evitar o acidente.

A ALL lamenta o ocorrido e reforça que o maquinista seguiu todos os procedimentos de segurança, como o acionamento da buzina, sinais de luz, além do acionamento do freio, mas não foi possível parar a tempo", informa, em nota, a concessionária. Ainda de acordo com a empresa, a locomotiva de 53 vagões - 10 deles carregados com fertilizante - transitava a uma velocidade de 40 km/h. No trecho, segundo a ALL, a velocidade máxima permitida para os trens é de 50 km/h.

A dona de casa Vanessa de Alcântara Lopes, 25 anos, mora em frente ao local do acidente. Segundo ela, o maquinista não emitiu o sinal sonoro. "Os trens que descem (sentido Capital-Interior) dificilmente buzinam". A moradora disse ter ouvido o barulho da colisão, às 6h50.

O delegado do 7º Distrito Policial, Domingos José Marcos, solicitou exames periciais no local e aguarda o laudo da Polícia Científica e do IML para determinar se houve falha mecânica no carro ou desatenção do motorista. O corpo da vítima ficará até as 9h30 de hoje no velório do cemitério da Ressureição, na Vila Ercília, e será enterrado, às 10h30, no cemitério de Nova Granada.

O jeito carinhoso e o bom humor eram marcantes em Silvio Pereira, que completou 43 anos na véspera de sua morte. Casado há 15 anos com Virgínia Aparecida, e pai de Silvio Pereira Júnior, 11 anos, o professor de educação física trabalhava na Associação Renascer havia 14 anos. "Era dedicado, amoroso e sempre com uma alegria contagiante", disse Luiz Henrique Lopes, agente administrativo do centro de reabilitação.

Para os amigos o professor era exemplo de superação. Na adolescência lutou contra a deficiência visual. Foi o primeiro transplantado de córnea em Rio Preto, em 1996, e recuperou completamente a visão.

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Passagem de nível oferece risco na região


O acidente em Rio Preto que matou uma pessoa pode ocorrer com a mesma gravidade em Bauru e nas cidades da região. Não há cancelas e sinalização na maior parte das passagens férreas que cortam as áreas urbanas das cidades.

O imbróglio é porque a empresa concessionária ferroviária alega que a responsabilidade da sinalização e instalação de cancelas é dos municípios. O argumento é com base no Regulamento dos Transportes Ferroviários por entender que as vias públicas foram construídas depois da malha ferroviária diante disso a responsabilidade seria da administração municipal.As prefeituras reclamam que não têm condições de colocar guarda cancela em todos os trechos. O resultado disso é o risco iminente de acidentes nas travessias de veículos sobre as linhas férreas.

A América Latina Logística (ALL), por exemplo, faz anualmente campanhas de segurança para conscientizar motoristas e pedestres sobre os cuidados para transpor a linha férrea. São distribuídos material informativo sobre os riscos de não obedecer à sinalização, mas a medida não é suficiente para evitar acidentes.

Em São Manuel, por exemplo, uma lei municipal de 2009 obriga a concessionária da malha ferroviária no município a instalar cancelas eletrônicas na passagem de nível no trecho que corta a cidade, porém a determinação não é cumprida.

A ALL já foi condenada em primeira instância pela Justiça de Bauru para providenciar as instalações das cancelas, bem como os reparos e consertos, mas como houve recurso a medida ainda não foi efetivada. O Ministério Público Federal (MFP) entrou com ação contra a empresa ferroviária por entender que é a empresa que deve dotar as vias de cancelas.