08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Como nunca antes...


| Tempo de leitura: 3 min


Senhores, refiro-me à carta "Preconceito enraizado", do senhor Pedro Valentim, publicada nesta Tribuna em data de 10 de março. Tomo aqui a liberdade de recomendar ao autor daquele texto que tome cuidado com o seu desvelo pela admiração (ou amizade?) que dedica ao ex-presidente Luiz Inácio. Afinal de contas, quem deixa uma amiga e ex-ministra de seu governo na situação em que ele deixou a "presidenta" Dilma, não pode ser - ou ter - um bom caráter.

Sua ex-Exia., no mínimo, desconsidera quem por ele tanto fez. Prova minha assertiva o fato de, transferida a chefia do governo à sra. Rousseff, já começarem a aparecer as pontas de icebergs de um governo prodigamente voltado para o populismo, perdulário e inconsequente, visando tão somente conseguir fazer eleger aquela que ele indicou para sucedê-lo.

Nunca o gasto público neste país atingiu valores astronômicos como no governo do presidente tão admirado e incensado pelo senhor Valentim. Se Dilma não perseverar no combate total e diuturno à inflação, que já mostra o ar de suas (des)graças, os primeiros a pagarem o seu preço serão os mais necessitados. A inflação é o imposto mais injusto e temido de todos os impostos. E esse "renascimento" do dragão inflacionário é consequência do narcisismo desenfreado de Lula.

São claros os sinais de que Dilma Rousseff está prestes a romper com ele, por discordar de assuntos que vão desde os direitos humanos, passando pelos apoios irresponsáveis e temíveis a governos tiranos em várias partes do planeta e indo, até mesmo, à proibição da entrada de bebidas alcoólicas (principalmente uísque) nas dependências do Palácio do governo. Nas reuniões no Palácio, desde o primeiro dia de seu governo somente têm sido servidos sucos e biscoitos. As sextas-feiras são também, desde então, dias normais, com reuniões às 16h e, depois de seus términos, os ministros que quiserem se locomover para suas origens têm que procurar os balcões das companhias aéreas. Jatinhos, nunca mais!

Sob orientação da "presidenta" e com supervisão do Ministro Antonio Patriota, do Itamaraty, o governo brasileiro ofereceu para a Sra. Shirin Ebadi - uma das maiores opositoras do governo do tirano Ahmadinejad, do Irã e prêmio Nobel da Paz - um almoço como desagravo às tolas e tendenciosas declarações de Lula a respeito do seu apoio ao atual governo do despótico Ahmadinejad.

Enfim, esta é a fase em que a peça teatral representada por Lula e seus companheiros, enquanto no "pudê", chega ao fim e afortunadamente...cai o pano!

No último parágrafo do texto enviado a esta Tribuna, - em seu "PS" - o senhor Valentim informa-nos que "o massacre que o déspota e ditador Gaddafi está fazendo com a oposição e com os civis libaneses é de alta desumanidade" (sic), o que, no frigir dos ovos, é uma informação, mais que controversa, um tanto quanto disléxica, digamos. Por quê? Ora, Gaddafi era (e deve ser ainda) um dos grandes amigos e partidários de Lula, a quem o ditador venezuelano Hugo Chaves queria fazer intermediário nas negociações para por fim às hostilidades que o demônio do Líbano pratica contra seu povo. Ambos, Lula e Gaddafi, trocaram visitas e até fizeram juras de apoio recíproco. Impagável ato falho do senhor Valentim. Aliás, os auto aclamados "marxistas progressistas" (!) são pródigos nos seus desdizeres. Fica no ar, e por enquanto sem resposta, a pergunta que não quer calar: a "presidenta" estava a par de tudo? Principalmente do que agora acontece na economia?

Tenho acompanhado desde muito tempo os escritos do senhor Pedro Valentim e até o admiro. Por isso posso dizer que aquele seu último texto, a que nesta carta me refiro, foi muito infeliz.

Termino informando que não emitirei opiniões a respeito de eventuais réplicas que se me ofereçam. Digo isso porque sei perfeitamente quais tipos de contestações que, tenho certeza, aparecerão. Também, o que se há de esperar dos progressistas de plantão...


João Guilherme Ortolan