09 de julho de 2026
Internacional

Liga Árabe pede bloqueio aéreo da ONU na Líbia


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Cairo - A Liga Árabe, organização que reúne países daquela região, pediu ontem ao Conselho de Segurança da ONU que imponha uma zona de exclusão aérea na Líbia, informou a TV estatal do Egito.

O anúncio é um importante passo para que haja uma ação militar no país do ditador Muammar Gaddafi. A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) só agiria com essa anuência.

Rebeldes que lutam contra o ditador perderam importantes postos nos últimos dias, quando Gaddafi intensificou ataques aéreos. Ontem, eles perderam o controle da estratégica cidade portuária Ras Lanuf, na costa leste do país árabe.

Em encontro de emergência realizado hoje, alguns membros da Liga Árabe aumentaram o tom de voz contra Muammar Gaddafi, apesar de o conselho ainda ter vozes dissonantes, como a do governo sírio.

O canal de TV estatal egípcio também afirmou que a Liga Árabe decidiu abrir canais de comunicação com o conselho dos rebeldes, situado em Benghazi. Para a Liga Árabe o conselho representa o povo líbio. Na reunião, estados do golfo Pérsico fizerem sérias críticas à permanência de Gaddafi no poder.

O chanceler de Omã defendeu que os países árabes devem intervir na Líbia ou correm o risco de uma intervenção estrangeira ocidental.

Estados europeus esperam que a Liga Árabe tome a dianteira na definição das políticas em relação a Líbia.

Mustafa Abdul Jalil, ex-ministro da Justiça de Gaddafi, diz-se frustrado com a falta de ação dos Estados Unidos.

Segundo Jalil, líder do conselho dos rebeldes, as nações ocidentais têm demonstrado solidariedade na luta para derrubar Gaddafi, mas ficaram apenas perto de aprovar uma ação militar.

"Se não impuserem um zona de exclusão aérea e se os navios de Gaddafi não forem revistados, haverá uma catástrofe na Líbia", afirmou.


Petróleo


Tropas do governo retomaram o comando de Ras Lanuf, cidade com importantes poços de petróleo e ponto estratégico na caminhada até a capital, Trípoli, a 600 km. Insurgentes prometem lutar para retomar a cidade. Ras Lanuf havia sido conquistada pelos rebeldes há uma semana e caiu após dias de intensos bombardeios por aviões e tanques.

O comando da cidade era um dos maiores trunfos dos rebeldes no caminho para a capital Trípoli. O general Abdul Fattah Younis, ex-ministro do Interior de Gaddafi e agora da oposição, reconheceu a derrota em Ras Lanuf.

Ele também afirmou que as forças do governo avançaram 40 km a oeste de Brega, outro importante polo de petróleo. Segundo Younis, isso indicaria que as tropas precisam de gasolina. Na quinta-feira, um dos filhos de Gaddafi, Saif al Islam, disse que o regime atacaria com força total para controlar os insurgentes. O ex-ministro do Interior prometeu uma contraofensiva. "Devemos voltar hoje ou no máximo amanhã", afirmou. Os frequentes bombardeios das forças de Gaddafi forçaram a recuada dos rebeldes nos últimos dias -eles agora estão longe da capital, Trípoli, essencial para tomar conta do país.