Tóquio - Sobreviventes do pior terremoto já registrado no Japão e de um tsunami apertaram-se em abrigos e juntaram suprimentos ontem enquanto equipes de resgate procuram pessoas nos escombros em um litoral de carros e barcos empilhados e casas desmoronadas.
Imagens aéreas mostraram edifícios e trens espalhados como brinquedos de criança após uma avalanche de água do mar ter varrido campos nos entornos da cidade de Sendai, a cerca de 130 quilômetros do epicentro do tremor, uma das regiões mais atingidas.
Em distritos ao redor de Fukushima, cerca de 67 quilômetros ao sul de Sendai, muitos sobreviventes fizeram fila para obter água, enchendo bules e recipientes de plástico enquanto funcionários da Força de Auto-Defesa do Japão procuravam pelos desaparecidos.
Em Iwanuma, não muito longe de Sendai, pessoas desenharam S.O.S. no telhado de um hospital parcialmente submerso, em apenas uma de muitas cenas de desespero na região.
Centenas de barcos pesqueiros, muitos deles tombados, encalharam nos campos, varridos para a terra firme pela força da água. Em abrigos na região, moradores se cobriam com cobertores, alguns segurando cada um, enquanto outros choravam.
Ao menos 1.300 pessoas morreram devido ao terremoto, o quinto mais forte registrado no mundo no século passado. Dezenas de milhares de pessoas foram forçadas a deixar suas casas na região norte do Japão, com seus lares arrasados pelo tsunami de dez metros de altura que invadiu a terra.
A energia elétrica e telefones celulares permanecem inoperantes em grande parte da região. Em Mito, outra cidade próxima, longas filas foram formadas do lado de fora de um mercado danificado, enquanto centenas esperavam por remédios, água e outros suprimentos. A oferta de produtos está baixa, pois os moradores foram às compras para fazer estoque, por não saber o tempo que vai demorar para que alimentos frescos cheguem novamente.
Na cidade de Oarai, sobreviventes foram até o ginásio de uma escola e o transformaram em um abrigo.
Em Tóquio, onde muitas pessoas temiam há tempos a possibilidade de um outro terremoto gigantesco como o que matou cerca de 140 mil pessoas em 1923, moradores tentavam avaliar os danos causados ao país e à cidade.
Alguns ficaram aliviados pelo fato de os danos na capital não terem sido grandes, mas permaneciam em pânico devido ao caos disseminado pelo país, especialmente pela radiação que vazou de um reator nuclear em Fukushima.
"As pessoas fazem manuais para terremotos, mas quando o terremoto realmente acontece, você consegue seguir o manual?", afirmou Kiyoshi Kanazawa, de 60 anos. "Todos correm quando as coisas estão sacudindo, e eles pedem para que você corte o gás e o fogo em sua casa, mas você não tem espaço suficiente para isso no seu cérebro."