10 de julho de 2026
Bairros

Energia elétrica faz 100 anos em Bauru

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Você já se imaginou vivendo totalmente no escuro ou à luz de lampião? Ou pior: tendo de esquentar água para tomar banho? Pois era exatamente assim que os primeiros moradores de Bauru viviam logo que chegaram por essas bandas. E assim tiveram de viver por muitos anos, exatos 15 anos, se levarmos em conta o ano de 1896, quando a cidade ganhou a condição de sede.

Hoje, faz exatamente 100 anos que as ruas de Bauru ganharam energia elétrica. Até 16 de março de 1911, a iluminação das ruas era feita por meio de lampiões. "Todos os dias, um funcionário da Câmara Municipal, incumbido da manutenção e conduzindo uma pequena escada às costas, percorria as vias públicas para limpar os lampiões e, no final da tarde, fazia o mesmo trajeto para acendê-los", conta o jornalista e historiador Luciano Dias Pires. Uma coisa praticamente impossível de se conceber nos dias atuais.

Passados 100 anos, as pessoas só se dão conta de que é praticamente impossível viver sem energia elétrica quando há blecautes. Principalmente em cidades como Bauru, onde a energia elétrica está em praticamente 100% das ruas do município.

Dados da CPFL Energia indicam que Bauru conta hoje com 39.218 lâmpadas públicas instaladas nas ruas e avenidas da cidade. Mas deve atingir 40 mil até o fim do ano, segundo o prefeito Rodrigo Agostinho, que hoje à tarde apresentará as ações do Plano Diretor de Iluminação Pública de Bauru previstas para 2011.

Na oportunidade, a Prefeitura de Bauru e a CPFL Energia também assinam contrato de prestação de serviço no valor de R$ 1,5 milhão. Segundo Rodrigo, o plano deve dar uma "repaginada" na cidade no que diz respeito à iluminação pública.

No ano passado, prefeitura e CPFL também assinaram acordo de investimentos e contrapartidas que previu, entre outras coisas, programa de substituição de lâmpadas. Até agora, segundo o gerente de contas do poder público da CPFL Energia, Luiz Antônio de Campos, foram realizadas trocas em oito dos 12 setores da cidade.

Jari Fornazari Gobbi, engenheiro da Secretaria Municipal de Obras, acredita que a partir da assinatura do contrato, hoje, será possível a troca no setor 5 da cidade, que compreende a Chácara Cornélia, as Vilas Dutra, Industrial e Industrial 2, Pacífico e Nova Esperança, Parque Jaraguá, Vila Real, Santa Edwirges, Núcleo Habitacional Fortunato Rocha Lima, Jardim Prudência e Vânia Maria, Val de Palmas.

Nesses bairros devem ser instaladas lâmpadas de sódio de 100 watts em ruas com residências, já perto dos pontos de ônibus serão colocadas as de 150 watts e perto de prédios públicos com grande fluxo de pessoas, como escolas e núcleos de saúde vão ser instaladas as lâmpadas de 250 watts.

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Como tudo começou

A implantação de iluminação pública em Bauru começou a tomar forma com a chegada da Estrada de Ferro Sorocabana, em 1905, aliada ao interesse de outras entidades que viam na instalação da energia elétrica a possibilidade de desenvolvimento econômico mais rápido. Assim, o engenheiro francês Charles, da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, fez uma proposta em torno do fornecimento de água, luz e telefone. Na ocasião, a empresa Alfredo Penna & Cia. também apresentou um estudo para explorar os serviços de iluminação elétrica em Bauru, mas a Câmara já estava em entendimentos com Joaquim Cardoso Gomes e outros.

Após o entendimento, foram colocados os postes e estendidas as linhas durante todo o ano de 1910. A força hidráulica de pequena queda d?água de um ribeirão, próximo às terras de Pederneiras, teve papel fundamental no processo. Paralelamente, a conclusão das obras do prédio que iria abrigar as usinas, que logo a seguir receberam todo o maquinário foi apressada.

E em 1911, na Praça Municipal (atual Praça Rui Barbosa), foi acesa a primeira lâmpada para iluminação pública da cidade. Mas outros bairros e avenidas da cidade só foram beneficiados em 1927, com a entrada da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) como concessionária dos serviços de iluminação da cidade.