09 de julho de 2026
Nacional

Obama discutirá petróleo e tecnologia

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Brasília - Brasil e Estados Unidos esperam acertar questões estratégicas e econômicas quando o presidente norte-americano, Barack Obama, visitar o país neste final de semana.

Abaixo estão algumas das principais questões que serão discutidas, segundo autoridades, com chances de sucesso:


Petróleo


Este tema provavelmente oferece a mais sólida oportunidade de substanciais progressos durante a visita de Obama. O Brasil detém uma das maiores reservas mundiais de petróleo em alto mar, mas pode precisar de ajuda de outros países - possivelmente de empresas norte-americanas de petróleo - para ajudar a extrair o óleo, que está a 6 quilômetros abaixo da superfície do oceano.

A presidente Dilma Rousseff disse à autoridades dos EUA em visita ao país, incluindo o senador republicano John McCain, que as reservas do pré-sal podem ajudar o Brasil a se tornar um importante exportador de energia e gerar recursos para obras de infraestrutura e desenvolvimento econômico.

Contudo, Dilma também afirmou querer encontrar mercados externos para o consumo da maior parte do petróleo. Ela acredita que o Brasil deve continuar dependendo de fontes de energia renovável, como a gerada por hidrelétricas e a partir de etanol, para a maior parte de suas necessidades. Os Estados Unidos são um consumidor ideal, disse Dilma Rousseff.


Infraestrutura


Obama oferecerá novos financiamentos para ajudar o Brasil a expandir sua infraestrutura nos próximos anos e permitir que mais companhias norte-americanas participem do esperado "boom" no setor de construção civil.

Os empréstimos, de centenas de milhões de dólares anualmente ou mais, ajudariam o Brasil a construir a infraestrutura necessária para sediar a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.


Comércio


Essa é a pedra no sapato. Apesar do progresso e a boa vontade em outras áreas, Brasil e Estados Unidos ainda estão se arrastando em questões comerciais, continuando um confronto que caracterizou a maior parte da década passada.

Em poucas palavras, o Brasil quer um acesso maior de seu etanol e de outras commodities e menos subsídios dos EUA nas culturas de algodão e agricultura no geral. Por outro lado, os EUA estão pressionando por mais acesso de seus bens de consumo no Brasil.

Conversas preliminares, incluindo um recente encontro entre a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, e o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Antonio Patriota, em Washington, convenceram ambos os lados a esperar um progresso insuficiente.


China


A expansão econômica chinesa é uma importante razão para Brasil e Estados Unidos buscarem uma aliança bilateral mais forte, e isso será objeto de discussão nesta semana. Mas autoridades tomarão cuidado para não aborrecer os chineses em seus comunicados, e há ideias diferentes sobre que estratégia assumir.

Preocupado com as políticas cambial e comercial chinesas, o Brasil se juntou pela primeira vez ao coro, liderado pelos EUA, para que a China deixe sua moeda se fortalecer.

Importantes autoridades têm culpado publicamente as baratas importações chinesas por golpearem as indústrias brasileiras. Os ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e das Relações Exteriores, Antonio Patriota, viajaram à China neste mês em parte para apresentar queixa às autoridades chinesas.


Reforma na ONU


O Brasil tem feito "lobby" por mais de uma década por um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), argumentando que merece um maior papel nos assuntos globais uma vez que seu forte crescimento pode transformar sua economia na quinta maior do mundo nos próximos anos.

Autoridades recentemente têm tido cuidado para não discutir a questão em público, para não criarem uma percepção de que a visita de Obama será um sucesso ou um fiasco com base em apenas um tópico. Em privado, contudo, as autoridades esperam algum tipo de inflexão e estão tentando convencer seus colegas norte-americanos nos bastidores.


Commodities


Essa é uma questão extremamente importante para o Brasil. Dilma é veementemente contra uma proposta francesa para limitar a alta nos preços das commodities e quer que os Estados Unidos ajudem a garantir que essa ideia não tenha apoio nos próximos fóruns como o G20.

O Brasil é um dos maiores produtores de commodities, como minério de ferro, soja e carne bovina, e tem se beneficiado bastante nos últimos anos do crescimento da demanda chinesa e de outras economias em desenvolvimento. Autoridades norte-americanas mostram ceticismo com a proposta francesa e parece provável que apoiem o Brasil.

Defesa


Dilma parece estar se inclinando a favor da Boeing em um acordo multibilionário com a Força Aérea Brasileira, e Washington tem esperança de avanços nas discussões, embora nenhuma conversa importante seja esperada.

A decisão surpresa de Dilma em janeiro de reiniciar o processo para o acordo foi um dos mais recentes sinais de uma mudança em favor dos EUA sob seu governo.


Satélite e espaço


Autoridades dizem que estão trabalhando em um acordo que poderia envolver transferências de tecnologia norte-americana para o programa de satélites brasileiro.

Os detalhes ainda estão sendo negociados, mas o acordo poderia servir de base para que os EUA participem do programa ou auxiliem bases de lançamento operadas pela Força Aérea Brasileira.

O Brasil está ávido para desenvolver um programa espacial e satélite, mas necessita melhorar primeiramente sua tecnologia.