08 de julho de 2026
Turismo

Paquerando na Goethe

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 5 min

Porto Alegre, que nasceu e cresceu em torno do lago Guaíba, possui uma árvore para cada habitante. São cerca de 1,4 milhão de árvores de 173 espécies, além de inúmeros parques, praças e áreas de preservação ambiental.

Outro parque muito visitado, desta vez para quem quer tirotear (paquerar) é o Parque Moinhos de Vento, que fica no bairro do mesmo nome.

Foi criado na década de 1970, em uma antiga área que pertencia ao Jockey Club do Rio Grande do Sul. Chamado de "Parcão", ele é dividido ao meio pela avenida Goethe e tem diversas quadras de um dos lados.

No outro ficam o playground, um pequeno lago, bem em frente da réplica de um moinho açoriano

Perto do moinho, cercado de plantas e de flores, a tiroteação (paquera) rola numa "nice".

Gurias e guris vestindo suas melhores roupas a fim de ficar ou ir até um compromisso mais sério. O ponto de encontro é uma amostra da beleza dos gaúchos e gaúchas. Gisele Bündchen, Xuxa, a hoje sessentona Miss Universo, Ieda Maria Vargas, e tantas outras top, mega, ultra models nasceram ali.

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O Mercado Público


Se São Paulo tem o Mercado da Cantareira, Porto Alegre tem o Mercado Público, cuja visita é obrigatória. O melhor horário para visitá-lo é antes do almoço. Um lugar para se percorrer inúmeras bancas de erva-mate; procurar os kits de chimarrão, para conversar com os comerciantes e com moradores da cidade.

Gente de todas as classes sociais convivem harmoniosamente nesse prédio com fachada em tons amarelados, resumo do melhor da cultura popular.

O Mercado Público de Porto Alegre foi inaugurado no dia 3 de outubro de 1869. Sua construção, em estilo neoclássico, chama a atenção, apesar de ter sido atingida em 1912 por um incêndio que destruiu quatro chalés de madeira que existiam em seu pátio central.

Além do chimarrão, mate a fome no mercado. Um dos lugares famosos é o Gambrinus, que abriu suas portas em 1889 e que originalmente funcionava apenas como um bar.

Em 1964, virou o estabelecimento de hoje: um restaurante que funciona também como choperia. O cardápio é excelente. Na sexta-feira, a especialidade é a tainha recheada com camarão.

Já na banda 40 conheça a tradição porto-alegrense e se farte com as saladas de frutas acompanhadas de sorvete de nata. Outra tradição é o caldo de mocotó, servido nos dias mais frios, no bar Naval. Como se vê, o Mercado Público de Porto Alegre é um patrimônio histórico sagrado. Impossível passar pela cidade sem visitá-lo. Capaz!

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Barbaridade, tchê!


Há algum tempo escrevi sobre Luiz Rotili Teixeira, ou mais conhecido como o Gaúcho do Aeroporto, que recepciona os turistas que chegam no "Salgado Filho". Teixeira, um gentleman, como a grande maioria dos gaúchos, me ligou lá de Porto Alegre com aquele sotaque característico.

Você pode não ter a mesma sorte  que eu de avistá-lo por lá com as botas, o chapéu, a cuia e a bombacha, mas não se arrependerá de "pousar" na Capital do Rio Grande do Sul.

Perceberá como os gaúchos têm personalidade própria, seja no jeito de falar ou de vestir, se orgulhando da história de sua terra. Terra de bravos tropeiros que desbravaram o Sul e o Sudeste, fazendo a rota de Viamão a Sorocaba (São Paulo) para levar e vender seus produtos - incluindo animais e o charque (a carne curada e salgada) - até os rincões de Minas Gerais (onde era crescente a busca pelo ouro).

Nesse território de linguagem própria,  a dica é comprar um dicionário para se inteirar do palavreado do lugar e desbravar Porto Alegre. Barbaridade, tchê!

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O Museu de Iberê Camargo


Pode parecer brincadeira, mas até o estacionamento da Fundação Iberê Camargo é bonito. Tem um piso branco e brilhante. O lugar, inaugurado no ano passado, já recebeu mais de 20 mil visitantes e virou cartão-postal de Porto Alegre, à beira do Lago Guaíba, na avenida Padre Cacique. O projeto custou R$ 40 milhões e foi desenhado pelo arquiteto português Álvaro Siza, que coleciona prêmios na área, entre eles, o cobiçado Pritzer. A obra preserva a memória de um dos mais importantes pintores gaúchos do século 20.

Iberê Camargo (1914-1994) nasceu em Restinga Seca, Interior do Estado, e passou boa parte da vida no Rio. A Fundação que leva seu nome foi criada em 1995, ano seguinte ao de sua morte, na antiga casa do pintor. Hoje, no novo prédio, abriga cerca de 4 mil obras, além de ateliês, biblioteca e um auditório.

Várias obras de Iberê estão ali expostas, incluindo carretéis e ciclistas, marcadas por quadros de imagens distorcidas.

"Ele observava as pessoas andando de bicicleta no Parque da Redenção e começou a refletir sobre os movimentos da vida", conta Michelle Pachego, monitora que faz visitas guiadas na Fundação e é estudante de artes visuais.

Quando estiver por lá, o ideal é subir de elevador até o quinto pavimento e descer pelas rampas até o térreo (não há escadas no local), passando por nove salas. Um dos quadros em destaque é o "No Vento e na Terra", de 1992.

A pintura tem diferentes tons de azul e um clima um pouco melancólico, como as obras de série ciclistas. Fica próxima de uma mesa que expõe alguns esboços de Iberê - um deles rabiscado em guardanapo, como o auto-retrato do pintor.


Arquitetura


Porto Alegre apresenta outros traços modernosos. É o caso do Centro Administrativo do Estado, em frente do Monumento aos Açorianos. O anfiteatro Pôr do Sol, no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, também tem desenhos arrojados e foi muito usado nas três edições do Fórum Social Mundial de Porto Alegre, de 2001 a 2003.


 

? Serviço 

Várias companhias aéreas voam para Porto Alegre. A GOL (www.voegol.com.br e 0300-115-2121) tem voos saindo diariamente de Bauru às 13h10 e chegando a Porto Alegre por volta das 17h (escala imediata em São Paulo).