09 de julho de 2026
Internacional

Japão reduz ligeiramente radiação em usina

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Tóquio - Técnicos da usina nuclear de Fukushima 1 conseguiram ontem restabelecer os cerca de 1.000 m da linha de transmissão de energia danificada que permitiria religar o sistema de resfriamento dos reatores e evitar um desastre.

E os esforços de despejo de água sobre os reatores em situação mais crítica lograram diminuir levemente os níveis de radioatividade na usina.

Segundo a AIEA (agência nuclear ligada à ONU), a situação da crise nuclear é "muito grave, mas estável??.

"Não piorou, o que é positivo", afirmou Andrew Graham, assessor do diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano, em entrevista coletiva. Andrew, no entanto, alertou que "ainda é possível que ela possa ficar pior".

Apesar da crise no Japão, Andrew disse que a indústria nuclear, em geral, tem um "ótimo histórico de segurança", embora os riscos não possam ser reduzidos a zero. "Até hoje não tenho ciência de que alguém tenha morrido nesse acidente. Isso não é para parecer complacente, estamos longe disso."

O restabelecimento de energia é a grande esperança das autoridades do Japão para conter em definitivo o risco de um superaquecimento do material nuclear dos reatores provocar um megavazamento de partículas radioativas.

"Esse é um primeiro passo para a recuperação", disse a Tepco (Tokyo Electric Power Co.), que opera Fukushima 1.

A linha, no entanto, foi reconectada apenas ao reator de número 2 da usina, e ainda há dúvidas sobre se o sistema de resfriamento não foi inutilizado por danos causados pelo tsunami do dia 11.

O sistema primário responsável por impedir o superaquecimento do material radioativo parou de funcionar quando a energia da região foi cortada pelo terremoto.

O secundário, movido a diesel, falhou ao ser atingido pelo tsunami devastador que se seguiu. Desde então, técnicos de Fukushima 1 recorrem a medidas paliativas, como bombear a água do mar, para evitar o aquecimento.

Um fracasso em impedir o material radioativo de superaquecer levaria ao derretimento do combustível nuclear e ao seu vazamento.

Ontem, a equipe de cerca de 180 pessoas que trabalha na usina priorizava o combate ao superaquecimento das piscinas que abrigam material nuclear já utilizado - que continua emitindo radiação.

Desde a véspera, helicópteros, caminhões-tanque e canhões d?água vêm sendo usados para manter o nível das piscinas, sobretudo nos reatores 3 e 4, necessário para evitar um aquecimento.

Os esforços surtiram efeito, e anteontem os níveis de radioatividade em Fukushima 1 tiveram ligeira diminuição - mas ainda em nível crítico.

Após uma semana de desesperadas tentativas de evitar o derretimento e o vazamento do material nuclear, os técnicos se concentram em evitar a liberação de radioatividade na piscina do reator 3 -são seis no total.

O reator, o segundo a sofrer uma explosão, na última segunda, é o único que processava combustível atômico com plutônio, cujo potencial de danos à saúde humana em caso de vazamento é ainda maior do que no caso do urânio.

Além disso, a equipe que trabalha na usina tenta manter o nível de água da piscina de combustível usado no reator 4, que sofreu incêndio na terça-feira e corre o risco de ficar completamente vazia.

Ontem, o chefe da comissão nuclear dos EUA dissera ao Congresso do país suspeitar de que o reservatório já estivesse vazio - o que foi negado pelos japoneses.

Já os núcleos dos reatores 1, 2 e 3, alvos iniciais de preocupação das autoridades japonesas - sobre os quais recaem suspeita de danos parciais causados pelas explosões-, foram considerados ontem em condição estável.

Os esforços de contenção do superaquecimento dos reatores nucleares de Fukushima 1 têm sido dificultados pelo nível de radiação, que impede que os técnicos que trabalham no local possam ficar muito tempo expostos.

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Combustível do reator 3 é muito mais radioativo que urânio


Tóquio - O reator 3 da usina de Fukushima 1, cuja estrutura do prédio que o abriga sofreu uma explosão na segunda, usa um combustível ainda mais radioativo do que simplesmente urânio: o MOX.

Trata-se de uma mistura de óxido de urânio e de plutônio - um elemento mais radioativo e cerca de cinco vezes mais cancerígeno, utilizado em bombas atômicas.

A preocupação com o plutônio surgiu na quarta-feira, quando partículas radioativas desse elemento foram identificadas na região da usina Fukushima 1.

No entanto, ainda não se sabe se essas partículas foram originadas no processo de fissão do urânio (divisão do combustível em duas partes), que acontece em todos os reatores, ou se saíram, de fato, do MOX do reator 3. Por ser considerado muito perigoso e de difícil controle na reação em cadeia, apenas cinco países do mundo usam MOX nas suas usinas nucleares: Japão, França, Alemanha, Bélgica e Suíça.

Nos reatores que o utilizam, a quantidade de MOX não passa de 30% da carga total de combustível.

"Se o MOX ficar contido dentro do vaso combustível do reator 3 não haverá problemas", explica o físico Luís Antônio Albiac Terremoto, do Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares).

"O problema é se o núcleo desse reator explodir, como aconteceu em Tchernobil", completa o físico.