09 de julho de 2026
Rural

Preços dos suínos se recuperam, mas custo dos grãos preocupa


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Após acumular quedas expressivas, em torno de 30%, no primeiro bimestre do ano, os preços dos suínos pagos aos produtores começaram a reagir neste mês. A alta dos grãos, contudo, ainda preocupa os criadores, que reclamam que os leilões de milho feitos pelo governo não estão conseguindo arrefecer as cotações do insumo.

A estreita margem da atividade tem feito entidades que representam a classe recorrer às esferas estaduais na esperança de conseguir apoio na sustentação da produção.

De acordo com dados da Informa Economics FNP, o quilo do suíno vivo caiu 30,8% no primeiro bimestre do ano, enquanto o da carcaça no atacado cedeu 26,9%, ambos em São Paulo.

Desde o piso alcançado pelo suíno vivo no final de fevereiro, em R$ 2,29 o quilo, menor patamar desde 2007, o animal se valorizou 9%, passando a R$ 2,50, hoje. A carcaça vendida no atacado do Estado teve recuperação de 3,2% em março, com valor médio de R$ 4,40/quilo.

"Os preços atuais ainda estão bem distantes dos recordes alcançados em novembro, quando o suíno vivo era vendido a R$ 3,84/quilo. Mas, agora, a tendência de alta vai se firmar", disse o analista Aedson Pereira da Silva. Ele aposta da recuperação das exportações e na demanda interna ao longo de 2011 para manter em alta os preços pagos pelos animais.

Neste momento, os produtores comemoram a elevação dos preços pagos, mas continuam preocupados com a valorização dos grãos, que tem pressionado a margem da atividade.

Hoje, cada quilo de suíno vivo compra 4,4 quilos de milho em São Paulo (saca a R$ 34,00), segundo dados da Informa. No final de fevereiro, a relação de troca estava um pouco pior - 4,24 quilos de milho/kg de suíno. A melhora, portanto, ainda é tímida.


Prejuízo


Segundo entidades da classe, parte dos suinocultores chegou a operar com prejuízo em janeiro e fevereiro por causa da elevação dos grãos, já que o milho e o farelo de soja representam mais de 50% do custo de produção.

O diretor executivo da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Fabiano Coser, acredita que as cotações dos insumos não devem subir mais, pois já atingiram seus valores recordes, mas também não deverão ter grandes recuos.

O setor produtivo, inclusive, terá que se acostumar a patamares mais altos de milho e soja. "Temos que absorver esse novo valor das commodities", disse, embora reconhecendo que também as carnes vivem um momento de valorização.

O presidente da ABCS ponderou que os leilões de milho que têm sido realizados pelo governo estão ajudando o produtor a lidar com o alto custo de produção, mas ainda não são suficientes para dar folga à margem da atividade.

Quanto aos preços do suíno vivo e da carcaça no atacado para o ano, Coser se mantém confiante. "Não podemos olhar o setor somente por um ou dois meses. Não temos ocorrência de eventos sanitários, nenhum mercado importador fechado, nenhuma ocorrência negativa doméstica. Vamos ter um ano bom novamente para o consumo interno e nossas exportações deverão crescer ante o ano passado."

O mercado interno é uma aposta forte. "Temos meta de chegar a um consumo per capita doméstico de 15 quilos ao final de 2012, mas acredito que isso será alcançado já no encerramento desse ano (no final de 2010, a quantidade per capita estava em 14,5 quilos). A cada um quilo de aumento no consumo, são mais de 100 mil matrizes alojadas no campo", completou.

Aedson Pereira, da Informa, vê os preços dos suínos sustentados ao longo de 2011 com a melhora do consumo interno e a baixa oferta de animais para abate.

"Nos dois primeiros meses do ano vimos um forte recuo nas exportações. Naquele momento, os suínos destinados às vendas externas foram redirecionados para o mercado interno.

Como o consumo no País também não estava aquecido, houve um excesso de oferta. Agora, porém, o cenário mudou. As exportações estão se recuperando, ainda que gradualmente", avaliou.