09 de julho de 2026
Política

Maternidade vai para a Famesp

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

O governo do Estado vai anunciar oficialmente o plano para o futuro da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) dentro de algumas semanas. Porém, segundo informações do deputado Pedro Tobias (PSDB), a Maternidade Santa Isabel, atualmente gerenciada pela entidade, assim como o Hospital de Base, passará a ser administrada pela Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), que é ligada à Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu. Em Bauru, a fundação já gerencia o Hospital Manoel de Abreu - que há três anos também era integrante da AHB ? e o Hospital Estadual.

De acordo com o deputado, a transferência está praticamente acertada. "Está tudo bem adiantado. Porém, essas coisas não se resolvem do dia para a noite. É preciso verificar se a transferência será feita antes ou depois da reforma que está sendo programada para o prédio da maternidade", pontua.

Desde o início da intervenção da AHB, disparada com a Operação Odontoma ? que em setembro de 2009 afastou toda a diretoria para a investigação de uma série de denúncias de irregularidades -, dirigentes da entidade junto do Ministério Público do Estado buscam alternativas para o futuro da instituição.

Desde o início, três propostas foram colocadas em debate: o Estado assumir a AHB, uma Organização Social de Saúde (OSS) passar a gerir a entidade e a própria associação se transformar em uma OSS.

No final de fevereiro, em uma reunião com a Secretaria de Estado da Saúde, dirigentes da AHB propuseram um plano de gerenciamento da dívida da instituição, que ultrapassaria R$ 150 milhões. Também foi apresentado um plano de alteração do estatuto da associação, tornando-o mais transparente e se aproximando ao de uma OSS. Porém, foi ressaltado que para que a entidade mantivesse atendimento adequado aos pacientes e ainda potencial de investimento em melhorias, o Estado teria que destinar mensalmente uma verba de R$ 2,6 milhões por mês.

O Estado, por sua vez, reconheceu que os dois prédios da AHB ? o do Hospital de Base e o da Maternidade Santa Isabel - são de sua propriedade e informou que iria realizar uma auditoria na entidade ? que começou logo depois do Carnaval. Só depois de terminado esse estudo, o que deve ocorrer nas próximas semanas, é que o governo do Estado tomaria alguma decisão sobre o futuro da AHB.

Apesar do prazo ainda não estar concluso, o deputado Pedro Tobias afirma que a Famesp já deve assumir a maternidade. "O Hospital de Base será discutido depois, quando o Estado terminar o levantamento que é feito. A orientação do governador Geraldo Alckmin é não deixar Bauru sem apoio na área de Saúde", pontua. Ele afirma que a transferência será feita nos moldes da realizada com o Hospital Manoel de Abreu, que no início de 2008 deixou de ser administrado pela AHB e passou para o Hospital Estadual.

O deputado fez questão de ressaltar que a transferência irá garantir uma melhora financeira grande para a unidade, uma vez que as OSSs recebem um orçamento superior ao da tabela SUS, que é a praticada com a associação. "Não teremos essa crise, essa falta tão grande de dinheiro. A Famesp sabe negociar, trabalhar. A comunidade deveria aplaudir, pois tira o hospital da crise", afirma.

Tobias também garante que o corpo clínico e colaboradores da maternidade não precisam temer a mudança e ressaltou a importância da unidade para Bauru."A maternidade é aberta a toda a região. É a única do SUS com UTI neonatal, para gestação e parto de alto risco", aponta. "Nenhum funcionário ou médico precisa ficar preocupados. Vai continuar a mesma coisa, vamos respeitar todos e continuaremos a trabalhar juntos", ressalta.


Famesp


Procurado pelo Jornal da Cidade, o presidente da Famesp, Pasqual Barretti, destaca que a ainda não há nenhuma decisão oficial para o caso. "Houve uma reunião entre a direção da Unesp de Botucatu e a Secretaria de Estado da Saúde e foi discutida a necessidade de um outro modelo para o gerenciamento da Maternidade Santa Isabel e o Hospital de Base. Foi questionado se a Unesp e a Famesp teriam interesse nesse assunto", pontua.

No entanto, ele ressalta que foi apenas uma conversa inicial. "Não existe uma decisão tomada, ainda que exista intenção de mudanças", pondera. Para Barretti, é necessário verificar até que ponto assumir a unidade é viável para a Famesp. "Mas, claro, que não está descartada a hipótese", avalia.