Sanaa - Atiradores de elite mataram ao menos 40 e deixaram mais de 200 feridos ontem durante um protesto na Universidade de Sanaa, capital do Iêmen. Classificada pela oposição como um "massacre", a ação foi condenada pelos EUA, França, ONU e União Europeia, que exigiram o fim da violência.
Pouco após o término das orações de sexta-feira -tradicionais no islã - dezenas de milhares reuniram-se para reivindicar a renúncia do ditador Ali Abdullah Saleh, há 32 anos no poder, que em resposta aos tumultos pediu "desculpas" pelas mortes e decretou o estado de exceção no país por 30 dias.
Testemunhas, médicos e correspondentes da rede de TV Al Jazeera relataram que muitas das vítimas, incluindo crianças, foram atingidas na cabeça e pescoço enquanto tentavam escapar, e que a polícia isolou pontos da região com pneus, dificultando a rota de fuga. O governo reconheceu apenas 25 mortos na ação e disse que a polícia não estava envolvida, embora de acordo com os manifestantes, que prenderam dez atiradores, muitos portavam cartões de identificação das forças de segurança.
EUA criticam aliado
Embora tenham no país -usado como base para intensas operações de um braço da Al Qaeda - um forte aliado contra o terrorismo, os EUA criticaram a repressão.
O presidente Barack Obama disse que o governo deve permitir um "processo aberto e transparente??, que contemple as demandas do povo e a secretária de Estado Hillary Clinton disse que seu país está "alarmado" e que busca averiguar os responsáveis pela matança.
A chefe de diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, mostrou-se "chocada" com a barbárie e a França rejeitou a ação, classificada como um "ataque mortal"?.