Um médico contratado hoje para atuar nas Unidades de Urgência e Emergência, de acordo com a nova grade salarial, por 24 horas de trabalho semanal, receberia R$ 4.000,00 por mês. Poderia realizar dois plantões de 12 horas por semana, o que lhe daria um renda extra de R$ 1.200,00 por semana, R$ 4.800,00, valor que somado ao salário chegaria a R$ 8.800,00, fora outros benefícios indiretos.
Muitos médicos reivindicam aumento no valor dos plantões extras para R$ 1.000,00, alegando que na cidade de Pederneiras o médico recebe R$ 1.000,00 por um plantão de 12 horas. O que não dizem é que este médico não tem vínculo empregatício com a Prefeitura de Pederneiras, portanto não recebendo salários. Tão pouco dizem que todos os sindicatos de médicos são contra esta prática de remuneração por plantão por significar a precarização das condições de trabalho.
Tive a oportunidade de ser o relator do PCCS da saúde e no período em que discutimos o plano com vários setores da categoria sentimos a completa ausência dos debates dos médicos enquanto setor organizado. Poderiam neste momento discutir as condições de trabalho, de carreira e salariais. Mas não o fizeram e não o fazem.
Procurei informar corretamente a população, principalmente a usuária do SUS, que assim como eu conhece a realidade do PS central, pelos serviços e atendimento que recebe quando procura este serviço público. Esta população violentada e humilhada pode, com base no novo código de ética médica, buscar reparação por dano moral e material.
O senhor Fernando Bilharinho utiliza o instrumento da tentativa da desqualificação para escapar do debate real, pois em nenhum momento desta discussão os profissionais mé-dicos se pronunciarem em defesa da saúde pública, do SUS e da afirmação dos direitos da maioria da população.
Conheço e convivo com médicos que lutam para melhorar suas condições de trabalho, suas condições salarias, e para afirmar a saúde pública de qualidade como um direito indisponível da população. Com estes nós lutamos ombro a ombro, porém, combatemos com o mesmo vigor a mercantilização da saúde e os que defendem estas posições.
Roque Ferreira - PT - Mandato Operário, Popular e Socialista