09 de julho de 2026
Geral

?Fiquei paralisado quando olhei para minha mãe?


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A tragédia que deixou quase 9 mil mortos e cerca de 13 mil pessoas desaparecidas no Japão acabou se transformando em boa notícia para o pequeno bauruense Lucas Tadashi, de 11 anos, que teve de volta ao seu lado sua mãe, Andreia Yukari Kimura, 31 anos. Ela morava na cidade japonesa de Ibaraki Kem - a 250 km do epicentro do terremoto - há 15 anos, mas retornou a Bauru anteontem após passar por momentos de grande tensão.

"Eu cheguei em casa, tentei reconhecer, e depois de 10 segundos paralisado, percebi que mamãe estava aqui. Em abril ia completar cinco anos sem ver minha mãe. Eu estava com saudade, e agora estou feliz porque ela está aqui!", comemorou. Lucas conta que ficava acompanhando todas as notícias do Japão com sua avó, Teresinha Ishihara, em Bauru, e que ficou muito aliviado ao ver sua mãe.

Em meio à catástrofe, Andreia Yukari conseguiu voltar para o Brasil, mas trouxe consigo a imagem de desolação e o pânico que viveu na cidade onde morava com o namorado Elvis Wakamori, também brasileiro.


Medo


Ela relata a sensação de estar no local bem no momento do tremor. "Foi terrível, um choque, fiquei em pânico e impotente, pensei que fosse morrer. Quando eu cheguei do trabalho, não tinha coragem de entrar em casa, tinha medo de tudo desabar em cima de mim. Na primeira noite fui para casa de amigos, e no outro dia, fomos todos para um abrigo que não tinha perigo de desabamento" afirmou.

Andrea lembra que, no momento do tremor, ela só pensava em se salvar. "Eu cheguei e vi tudo revirado em casa. Peguei uma roupa e saí de lá, depois fui atrás de conseguir voltar para o Brasil. As pessoas que ficam aqui acham que tudo é um mar de rosas lá, e na verdade é somente uma forma de sobrevivência", desabafa.

Mesmo com a experiência traumática vivida, Andreia fala da importância do Japão na sua vida. "Não tem palavras, o Japão me trouxe muita coisa boa. Tive amadurecimento, ganhei responsabilidade e independência. É triste não saber o que vai ser do Japão. O que aconteceu foi pior do que as bombas da segunda guerra. O que me fez voltar foi o medo de morrer, minha família, meu filho e minha mãe", finaliza Andreia.