08 de julho de 2026
Bairros

Bauru poderá explorar Água Parada

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Um estudo técnico foi contratado por Bauru para avaliar a viabilidade de captação de água do córrego Água Parada para o abastecimento urbano, de acordo com o prefeito Rodrigo Agostinho. A criação dessa alternativa é a solução apontada por um estudo da Agência Nacional de Águas (ANA), divulgado ontem - Dia Mundial da Água -, para que o município não tenha problemas com abastecimento até o ano de 2015.


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Mais de 3 mil municípios podem ter problemas com abastecimento

O estudo divulgado ontem pela Agência Nacional de Águas (ANA) também revelou que 3.059, ou 55% dos municípios, que respondem por 73% da demanda por água do País, precisam de investimentos prioritários para o abastecimento de água que totalizam R$ 22,2 bilhões. As obras nos mananciais e nos sistemas de produção são fundamentais para evitar déficit no fornecimento nas localidades indicadas, que em 2025 vão concentrar 139 milhões de habitantes, ou seja, 72% da população. Concluídas até 2015, as obras podem garantir o abastecimento para daqui a 14 anos.

O Norte e o Nordeste possuem, relativamente, as maiores necessidades de investimentos em sistemas produtores de água (mais de 59% das sedes urbanas). Chama a atenção a precariedade dos pequenos sistemas de abastecimento de água do Norte, a escassez hídrica no Semiárido e a baixa disponibilidade de água das bacias hidrográficas litorâneas do Nordeste. No Sudeste, os principais problemas decorrem da elevada concentração urbana e da complexidade dos sistemas produtores de abastecimento, que motivam, muitas vezes, disputas pelas mesmas fontes hídricas.
Atualmente, 55% dá água que chega aos bauruenses é captada dos 28 poços abertos no Aquífero Guarani. Outros 45% vêm do rio Batalha, que não deve garantir o abastecimento da cidade por muito tempo. "O Batalha foi altamente degradado. Nós estamos fazendo trabalhos de recuperação, como o plantio de árvores nativas às margens do rio ontem. Além disso, tem a questão hídrica do rio, que tem um limite na produção de água", aponta o prefeito e ambientalista Rodrigo Agostinho.

Ele afirma que, em razão da falta de investimentos na última década, Bauru está no limite no que diz respeito à captação de água para o abastecimento dos moradores, embora os problemas de falta de água sejam pontuais. "Em algumas regiões sobra água e em outras, falta. Isso acontece porque não temos um sistema totalmente interligado", afirma.

Novos poços


Rodrigo explica que seu governo já realizou a perfuração de dois novos poços para captação de água, além de construção e ampliação de reservatórios e adutoras, que armazenam e transportam o produto. "Há dez anos não se perfurava um poço na cidade. Nós já fizemos dois e vamos fazer mais dois até o final do mandato", conta o prefeito.

O investimento para resolver todo o problema de abastecimento na cidade seria de aproximadamente R$ 100 milhões, segundo o prefeito, o que está fora da capacidade orçamentária do Departamento de Água e Esgoto (DAE).

"Com uma segunda captação no (rio) Batalha, mais o uso do (córrego) Água Parada, seria possível abastecer 116 mil pessoas, além da população atual de Bauru, que é de quase 400 mil habitantes".

No entanto, o prefeito alega que, caso o município mantenha o ritmo ditado por sua administração, com a perfuração de um poço por ano com capacidade de produção de 170 mil litros por hora, a situação pode ser controlada. "Até porque é mais caro captar água de rio por conta do transporte e até mesmo pelo processo de tratamento exigido", explica Rodrigo.

Conforme já divulgado pelo JC, a cada segundo são lançados 1,5 mil litros de esgoto sem nenhum tipo de tratamento no rio Bauru. O ano de 2018 é o fim do prazo que o DAE tem para colocar em funcionamento a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) com o dinheiro arrecadado pelo Fundo de Tratamento de Esgoto, pago pela população desde 2006.