09 de julho de 2026
Articulistas

A fome de energia e o sol

Fábio Pallotta
| Tempo de leitura: 3 min

Nossa pequena estrela de quinta grandeza, o Sol, nos aquece e é responsável por toda a vida no planeta, aquela passada ou a que virá ao mundo. Adorado no passado, perdeu o seu encanto a partir do Renascimento quando nós, seres humanos, sedentos em conhecer e usando a razão, começamos a desvendá-lo. Deixou de ser Rá dos egípcios ou Hélios para os gregos para ser uma massa de gases em com-bustão em uma fornalha atômica.

Max Weber, sociólogo alemão, estudando o racionalismo ocidental percebeu que ele trouxe avanços inimagináveis na vida do homem, mas desencantou o mundo, deixando-nos com uma saudade enorme do sagrado, do mito, consumindo nos dias de hoje tudo o que nos lembre esse passado encantado, onde existia o mito e a divindade. O homem que desvenda o universo através da razão, das ciências e da tecnologia e o mesmo homem que devora gigatoneladas de carbono para se manter vivo e a sua economia funcionand

.
Esse mesmo homem deveria pensar sobre a vida e sobre o que ele faz com o seu lindo planeta azul mais conhecido como Terra e a desenvolver e procurar novas formas de produzir energia e novas fontes de energia não poluentes, de carbono zero e de utilização segura.

Como vimos em Fukushima, a energia atômica tem emissão zero de carbono, mas mostrou que não é segura e é extremamente contrária à vida do homem e da natureza.

Usando a nossa razão, a ciência e a tecnologia, poderíamos conseguir uma maneira segura e barata de utilizar toda a energia do astro que nos dá vida e que desencantado, hoje, só é objeto de estudos.

Na década de 1980, no auge do segundo choque do petróleo, um cientista pouco conhecido e festejado no Brasil, J. W. Bautista Vidal, trocou uma carreira brilhante como físico nuclear nos EUA e voltou para o país para desenvolver o Pró-Álcool, o projeto mais vitorioso de biocombustível jamais criado pelo homem.

Como ele mesmo explica, em seu livro "O Poder dos Trópicos ? Editora Casa Amarela", a Civilização do Petróleo, com sua sede no Hemisfério Norte e ramificações no Sul, é a "Civilização de Um Dia", pois todas as reservas de petróleo do mundo, as descobertas e as a descobrir, correspondem a um dia de insolação nas áreas inter-tropicais onde está localizado o nosso país e estão se esgotando rapidamente. O petróleo, como fonte de energia, está com os seus dias contados.

Deveríamos, então, ter a coragem de investir bilhões de dólares em estudos sobre energia solar, mobilizando todos os cientistas possíveis, em especial os jovens e os interessados no humano como J.W. Bautista Vidal, para torná-la mais acessível e barata e colocar as tecnologias poluentes e suicidas em seu devido lugar: no limbo de um passado que não pode mais existir, mas que continua devido aos interesses de quem domina essa obsoleta forma de energia.

O Brasil tem petróleo (lembremos do Pré Sal), mas deveria investir mais no Sol. Vamos valorizar o Sol, que com o seu poder nos dá vida e assim matar a nossa fome de energia de forma segura. (O autor, Fábio Pallotta, é professor de história e colaborador de Opinião)