Fabiano Maisonnave
Tóquio - O Japão detectou substâncias radioativas em água marinha em até 16 km da usina nuclear de Fukushima, localizada no litoral e danificada por terremoto e tsunami. A descoberta pode impactar a produção pesqueira, exportada para vários países.
A empresa Tepco, que opera a usina, informou que uma amostra coletada na segunda-feira a 330 metros do sistema de escoamento da usina tinha uma concentração de iodo-131 num nível 126,7 vezes acima do permitido. Já a concentração de césio-137 era 16,5 vezes maior do que o limite legal.
A 16 km da usina, o iodo-131 tinha uma concentração 16,4 vezes maior que o limite. A pesca está temporariamente suspensa na área.
A principal preocupação japonesa é com o césio-137, que permanece mais tempo no ambiente e pode contaminar a vida marinha.
"Essa informação, de quantas vezes a radiação está acima do limite, está imprecisa porque não conhecemos o limite definido pelo governo japonês??, diz Laercio Vinhas, diretor de radioproteção e segurança nuclear da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen).
"Mas o risco que isso representa está ligado à incorporação dessas partículas radioativas. Se ninguém beber água do mar e não consumir nada da vida marinha naquele região, o risco será baixo??, completa o especialista.
Riscos
Como se trata do primeiro acidente nuclear dessa gravidade à beira do mar, especialistas vêm tendo dificuldades para fazer projeções sobre como a radiação pode se propagar no Pacífico.
Mas o medo de contaminação já está provocando estragos. A rede de mercados sul-coreana Lotte Mart cancelou as compras do Japão. Em Taiwan, o restaurante de luxo Peony disponibilizou um contador Geiger para que seus clientes testem o peixe.
Ontem, a reportagem esteve no mercado Tsukiji de Tóquio, o maior para venda de peixe do mundo. Segundo o comerciante Arigahu Yamaguchi, o movimento foi normal. Mas os turistas não apareceram.
O Brasil é um pequeno, mas crescente importador de peixe do Japão. No ano passado, foram 300,3 toneladas de pescado japonês. O país, no entanto, importa poucos produtos alimentícios do Japão, e a lista não inclui itens em que foi detectada contaminação por radiação, como leite, espinafre e folhas de crisântemo.
O governo informou ainda que detectou altos níveis de iodo-131 na água encanada próxima a Fukushima. Foi encontrada numa amostra de solo a 40 km do local do acidente uma concentração de radiação 430 vezes acima do nível normal.
Ouvido pela TV NHK, o especialista Keigo Endo disse, no entanto, que não há risco imediato à saúde.