Presidente Alves - A Justiça de Pirajuí suspendeu anteontem os trabalhos da Comissão Processante (CP) da Câmara de Presidente Alves (56 quilômetros de Bauru), instaurada para apurar suposta violação do Regimento Interno, por parte do vereador Waldir Luiz Lamberti, o "Bady" (PTB), na indicação dos membros das comissões permanentes da Casa. A suspensão foi determinada por meio de uma liminar em medida cautelar.
A representação do vereador Sebastião Claviso (PPS) foi aprovada em sessão tumultuada no dia 28 de fevereiro, quando a denúncia foi lida em plenário e logo em seguida instalada a CP. Além das indicações dos membros das comissões permanentes, sem consulta aos demais vereadores, o parlamentar acusou "Bady" de ter faltado com a ética e o decoro em razão de dívida contraída junto a estabelecimento comercial da cidade, que não teria sido paga, e em razão de suposta compra de voto nas eleições de 2008.
No despacho, a Justiça alega que há os requisitos necessários para o deferimento da liminar diante à "demonstração de fundados indícios da existência de irregularidades nos trabalhos da Comissão Processante". "O Judiciário entendeu que ?Bady? poderia sofrer danos de difícil reparação se viesse a sofrer uma cassação ou processo de cassação, a partir de um processo mal formado", explica o advogado Roberto Kassim Júnior.
"Eles agiram no ímpeto da hora e não se atentaram aos requisitos para a instauração de uma Processante, não tinham provas suficientes, fizeram do jeito que eles quiseram como se fossem donos da Câmara, donos da lei", completa o advogado sobre os vícios presentes no processo e verificados pela Justiça.
O presidente da Câmara comemorou a decisão e destacou a transparência de sua atuação na vida pública. "O ?Bady? na vida particular pode ser o maior vagabundo deste mundo, mas na vida pública, como vereador, não tem nada. Sempre fui franco e transparente e me vi diante de uma situação dessa, mas o juiz não achou justo eu ser prejudicado dessa forma", afirma.
O presidente da CP, Paulo César Rodrigues Navarro, o "Fonka" (DEM), foi procurado pela reportagem do JC, mas não retornou às ligações até o fechamento desta edição.
"Mensalinho"
"Bady" defende que a Comissão Processante (CP) foi fruto de uma conspiração e acusa os vereadores Reginaldo Moraes e Sebastião Claviso de exigirem "mensalinho" de R$ 1,5 mil e 40 litros de combustível em troca de apoio. Sua destituição do cargo seria, segundo ele, uma retaliação motivada pela denúncia do suposto esquema à polícia. "Tudo isso foi porque eu não quis compactuar com essa extorsão", alega.
De acordo com a denúncia, os dois parlamentares acusados teriam dado prazo até 28 de fevereiro para que o dinheiro e o combustível fossem liberados. Caso contrário, passariam a apoiar a administração municipal. As ameaças teriam ocorrido após "Bady" eleger-se presidente da Câmara para o atual biênio com o votos dos dois parlamentares.
O inquérito policial vem sendo apurado pela delegacia seccional de Bauru, mas corre em sigilo para não atrapalhar as investigações. No momento estão sendo ouvidas as testemunhas.