08 de julho de 2026
Turismo

Sevilha


| Tempo de leitura: 7 min

Sevilha é o ícone da região, a capital cultural e econômica e disparada uma das cidades mais lindas de todo o país. Merece a maior parte do seu roteiro e vai ganhá-lo à primeira vista.

É só bater o olho na Giralda e na construção gótica de sua catedral para se convencer. A torre de quase 100 metros de altura foi construída no século 12 como minarete de uma mesquita. Hoje, é um símbolo que guia os turistas por Sevilha. Do alto de seus 97,5 metros, a melhor panorâmica da cidade, em 360 graus: o rio Guadalquivir, a Plaza de Toros, os telhados ocre...

Dali é fácil chegar aos portões do Real Alcázar, o complexo de palácios erguido pelo primeiro califa andaluz, Abd al-Rahman III (7,50 euros; patronato-alcazarsevilla.es). O conjunto foi crescendo ao longo da dinastia com a ajuda de artesãos muçulmanos, que construíram jardins, pátios com fontes e salões no estilo mudéjar.

O palácio Pedro I é o principal - foi feito em 1364 para ser a residência real. Ali o olhar se perde diante de tantos detalhes, tanto brilho. Repare nos azulejos e nas tapeçarias. Na madeira dourada e entrelaçada que enfeita arcos, janelas e portais.

Você também vai cair de amores pelas ruas e praças floridas, pelos becos e pelas pastelerías de Santa Cruz, antigo reduto dos judeus. Passar horas a fio perdido nesse novelo, entre lojas, pátios mouros e restaurantes, é o melhor programa. Na Calle Mateos Gago, sente-se no Bar Giralda, que tem as tapas mais originais que você já comeu.

Caminhar entre os jardins à beira do Rio Guadalquivir, dar de cara com a Torre del Oro e descansar à sombra da Plaza de España é para se encantar de vez. Depois, vá à Plaza de Toros do século 18, a segunda mais antiga da Espanha em funcionamento - a época das touradas começa mês que vem. Ou pelo menos faça uma visita guiada (são 30 minutos por 6,50 euros; realmaestranza.com), que passa pelo museu e pela arena, onde é impossível não ouvir o grito do toureiro.

À noite, sentado em um íntimo pátio andaluz, deixe-se levar pelo ritmo do flamenco. De arrepiar a alma, na batida do violão, no compasso da castanhola.

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Flamenco para arrepiar a alma


O movimento das cordas, dos dedos ágeis, o som que hipnotiza. Uma voz rouca e grave puxa e envolve. O movimento no vestido rodado, no contorno das mãos, no vaivém da cintura. Expressão dura e triste. A flor no cabelo, o sapatear forte. Estalar dos dedos, da língua, da respiração ofegante. Sentimentos, muitos. Vira o rosto, joga a cabeça, vem, cintura, vai, dedos, mãos, sapateia, sapateia. Olhar fixo, respira, no ritmo das cordas, no compasso das batidas, na marcação dos tacones, dos pés, da voz rouca.

O movimento da sedução, no rosto, nos pés, nas mãos. Olhar fixo e apaixonado, leve sorriso, galanteador. Pisa forte, revira joelhos, no estalo dos dedos, da língua, das cordas. Respira, sua, tira o paletó, dobra a camisa. Mira, sapateia, bate perna. Bate palma, palma na perna, palma no ombro, palma na mão. Vira, grita, seduz. Com o estalo dos dedos, da língua, da palma, do violão. Olé!


Para ir

O show de flamenco na Casa de La Memoria (casadelamemoria.es) é um clássico. O ingresso sai por 15 euros.

O que levar

Câmera - Para registrar cada detalhe da viagem à região mais autêntica da Espanha.

O que trazer

Tudo típico - Vai ser inevitável se encantar com as lojinhas de suvenir da Andaluzia. Lá estão leques (no verão, acredite, você vai precisar), bonecas dançarinas, pôsteres de toureiros, chaveiros em forma de alhambra ou giralda, cartões-postais e uma infinidade de lembrancinhas típicas

Flamenco - Sapatos e roupas em lojas especializadas

Azeite de oliva - Porque você não vai ter coragem de sair de lá sem um único pote de azeite

Saiba mais

Passagem: o trecho SP-Sevilha-SP custa desde R$ 1.436 na Iberia (iberia.com) e R$ 1.528 na British (britishairways.com). Ambos com uma escala. Melhor época: com inverno ameno e verão quentíssimo, é bom evitar o destino em junho e julho, quando as temperaturas ultrapassam facilmente os 40 graus.

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Ordem da visita não vai alterar o impacto que Alhambra terá sobre você


Chovia, mas toda beleza resistia firme, escandalosa, por onde quer que os olhos passeassem. Mesmo no cinza. Também, a vista a partir da Plaza Nueva chega a ser covardia. Um fiapo de rio Darro e duas encostas. Debruçadas de um lado, as casinhas brancas do charmoso e histórico bairro Albaicín. Do outro, as pesadas torres da Alhambra.

A descoberta desse que é um dos mais espetaculares e bem conservados monumentos mouros da humanidade, com a chancela da Unesco, começa bem ali na Plaza Nueva, o ponto central de Granada (se bem que você já agendou a visita pelo site alhambra.org, por 12 euros).

Ao avistar as torres, num impulso, os passos seguem os olhos sem piscar. Vão deixando a praça para trás, entre poças d?água, sobem a ladeira, atravessam um parque florido - e molhado. Nem 20 minutos depois, o fôlego parece faltar quando se invade a Alhambra.

O complexo de torres, palácios e jardins, construído pelos reis da dinastia násrida a partir do século 13, é imenso. Todos os caminhos chamam - e a ordem da visita não altera o impacto que ela terá sobre você.

Naquele dia cinza, era natural seguir primeiro a trilha de pedra, repleta de árvores e flores coloridas, que leva ao Generalife. A residência de campo dos reis exibe pomares, hortas e jardins que são qualquer coisa de impressionante. Impressionante até para quem já viajou bastante, como você vai poder notar pelos comentários ao seu redor.


Mosaicos


Outras passagens surgem, o instinto segue. Quanto mais se avança, mais as paisagens crescem. E aparecem palácios em detalhes. Arcos, pilares, mosaicos. Pátios e espelhos d?água. Nas paredes, gesso, madeira e trechos do Alcorão soberbamente entalhados.

Guias acompanham a visita pelo principal palácio do complexo, o de Carlos V. Enquanto explicam toda história, você passeia os olhos pelas grandiosas salas e corredores. Com tanto para ver, difícil é não deixar a mente vagar para bem longe dos dados e das frias datas.

À saída, o percurso leva à zona militar chamada Alcazaba, onde estão as pesadas torres à vista da Plaza Nueva e de outros pontos de Granada. Lá de cima, elas revelam uma panorâmica marcante. O amontoado de telhados ocres, a cúpula gigante da catedral gótica, as pedras do Albaicín... Um escândalo, mesmo com o cinza no fundo.


Labirinto


O passeio pela Alhambra pode durar um dia inteiro, por isso fique pelo menos dois dias na cidade. Além do complexo monumental, é absolutamente necessário se perder pelas estreitas ladeiras do Albaicín. O bairro tem vielas de pedras grandes e irregulares que chegam a massagear os pés. Tem casas brancas com fachadas desbotadas, igrejinhas e mansões com seus jardins. Tem perfume de jasmim.

É impossível acertar o caminho em meio a esse labirinto. A cada curva, a cada portinha, você vai querer parar, descobrir cuevas (tavernas) construídas por ciganos há séculos, restaurantes e lojas com toque árabe. E música e cheiro e feições que marcam essa cultura.

O único trajeto que não se pode errar é o do mirante San Nicolás, mas isso você só vai entender estando lá. O mirante nada mais é que uma pracinha com um café, só que debruçada na colina na frente da Alhambra.

Sim, paisagem é linda de qualquer jeito. Mas se você tiver a mesma sorte de acordar no dia seguinte com o sol, volte ao mirante. Você verá um lugar mais cheio. Há quem toque violão, há quem venda artesanato, há quem grude na câmera fotográfica. Com o contraste do céu azul, a Alhambra fica maior. E no fundo surge a serra com picos nevados. Mais cor, mais emoção, uma outra Granada.