09 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de Pescador: Peixe na invernada


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Setembro. Choveu o mês inteirinho na região de Bauru, castigando principalmente a cabeceira do rio Batalha, a menina dos olhos dos pescadores da redondeza, provocando uma grande enchente, talvez a maior de todos os tempos.

O rio transbordou e suas águas barrentas avançaram pelas matas e invernadas da localidade, causando sérios prejuízos para alguns fazendeiros e sitiantes dali. A ansiedade dos pescadores para que as águas baixassem era muito grande.

Um dos fatores que fazem o rio Batalha ser tão procurado pelos pirangueiros é que possui ainda em suas margens vasta vegetação e muita pauleira em seu leito, amparando assim cardumes de várias espécies.

Uma semana após ter cessado a chuva, o rio ainda um pouco cheio e suas barrancas escorregadias, o Zé Birruguinha não suportando mais a espera, resolveu mesmo assim dar uma pescadinha.

A água do rio ainda não estava na cor certa para a pesca de anzol, mas para o Zé que sempre foi considerado como um dos maiores pescadores de Bauru e região, não ia ter muito problema.

Lá foi ele acompanhado de um companheiro, que também não deixava por menos, para seu rancho a beira do Batalha para pegar alguns peixinhos.

Na primeira jogada de linha feita pelo Birruguinha, antes mesmo que o anzol atingisse o fundo do poço, fisgou uma piapara das grandes. Por estar pescando com uma linha zero vinte, muito fina, teve bastante trabalho para tirá-la da água, isso só acontecendo com o auxílio do seu companheiro, usando um puçá.

Já com o peixe na mão, antes de colocá-lo no bornal, para surpresa sua e de seu amigo, perceberam que ele talvez por ter passado alguns dias nadando pela invernada, quando o rio cheio, trazia em seu dorso dois imensos carrapatos.

O Zé garante de pés juntos a veracidade desse acontecimento, mas quem duvidar, que confirme com o seu colega de pescaria que também no mesmo dia, pegou uma tabarana com vários bernes nas costas.


"Estórias do Zé Birruguinha", de Orlando Álvares de Araújo