09 de julho de 2026
Geral

Desbravadores cruzaram com personagens da história mundial, como Henry Ford

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

O que a nadadora Maria Lenk, o craque Leônidas da Silva, os presidentes do Brasil e Estados Unidos, um revolucionário da Nicarágua mais importante que Fidel Castro, o homem que estabeleceu a indústria automobilística e o agente do FBI, célebre mundialmente pela prisão do mafioso Al Capone, têm em comum? Três aventureiros do Brasil é a resposta.

Conforme relata o memorialista e escritor Beto Braga, que está prestes a lançar o livro "O Brasil Através das Três Américas" (Canal 6 Editora, 336 páginas), os desbravadores Leônidas Borges de Oliveira, Francisco Lopes da Cruz e Giuseppe Mário Fava se encontraram com todos eles, durante a viagem de 10 anos pela trilha que daria origem às estradas que formam a famosa "Carretera Panamericana", elo rodoviário de 40 mil quilômetros entre Patagônia e Alaska.

Os atletas olímpicos em questão, comenta o autor, cruzaram com os aventureiros durante travessia embarcada sobre o Canal do Panamá. Na ocasião, os esportistas integravam a delegação brasileira que seguiam para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, realizados em 1932.

Segundo Braga, que, além de reunir vasta documentação ainda entrevistou um dos aventureiros ? o mecânico Mário Fava, de Bariri ? o trio não conteve a emoção ao se deparar com ídolos do esporte na época: a nadadora Maria Lenk foi a primeira mulher sul-americana a participar das Olimpíadas e Leônidas da Silva (o Diamante Negro, maior nome do futebol brasileiro antes do surgimento de Pelé). "Principalmente o comandante Leônidas, que tinha o mesmo nome do jogador", detalha Braga.

Mas, durante a década dividida entre estradas, trilhas e picadas, muitas outras figuras célebres, como presidentes de nações pan-americanas, incluindo dos Estados Unidos, na ocasião Franklin Delano Roosevelt, cruzaram o caminho da expedição.

Amparados por documentação oficial expedida pelo governo brasileiro, além de ampla cobertura da imprensa na época ? um dos carros usados na viagem foi doado pelo jornal "O Globo", patrocinador oficial da empreitada ? os expedicionários eram recebidos com pompa e circunstância nas principais cidades dos países que cruzavam e, consequentemente, conheciam seus líderes ou personagens célebres.

Num dos fatos mais inusitados da viagem, os viajantes posaram para a última foto de Augusto César Sandino, revolucionário contrário ao domínio dos Estados Unidos na nação centro-americana. Sandino, líder rebelde, pincela Beto Braga, acabara de assinar uma trégua de paz com o governo e recebeu a expedição brasileira, declarada hóspede oficial do País.

No encontro, alinhado com um terno, Augusto Sandino posou ao lado dos viajantes em encontro na capital Manágua, dois dias antes de ser fuzilado pelo governo com o qual havia firmado acordo. Os tiros e agitação do povo assustaram os brasileiros, conta Braga no livro, que se refugiaram na casa do ministro da Agricultura, Sofonías Salvatierra, onde presenciaram outras duas mortes, entre elas a do irmão de Sandino, General Sócrates. Mas o ápice para os viajantes, como não poderia deixar de ser, foi a chegada aos Estados Unidos, obviamente à capital do automóvel, Detroit, onde Henry Ford os recebeu e que, segundo Beto Braga, tentou, em vão, comprar os dois automóveis para o Museu da Ford.

Fotos com toda a equipe da National Geografic, em frente à sede da organização, ilustram a gloriosa chegada aos Estados Unidos, coroada pela recepção do presidente Franklin Roosevelt, na Casa Branca, ocasião em que o mandatário norte-americano entregou pessoalmente uma carga de congratulações e agradecimentos aos viajantes.

No entanto, para alguns, o ápice da jornada ianque talvez tenha sido outro. Quando passavam pelo Estado de Ohio, eles precisaram cumprir protocolo legal na diretoria de segurança pública. O autor explica que, na ocasião, eles necessitavam de uma autorização especial de tráfego. O documento foi expedido por ninguém mais ninguém menos, do que o legendário policial Eliot Ness. Ele liderava a equipe famosa pelo apelido de "Intocáveis", responsável pela prisão do mafioso Al Capone.