09 de julho de 2026
Bairros

Dengue do tipo 4 se espalha e preocupa em todo o País

Carolina Pimentel
| Tempo de leitura: 5 min

Os médicos brasileiros têm mais uma preocupação este ano: a dengue tipo 4, que pode estar se alastrando pelo País. Depois de confirmações na Região Norte, o sorotipo viral foi encontrado no Sudeste e Nordeste.

Para especialistas, o avanço do vírus tipo 4 da dengue pelo Brasil é uma ameaça à saúde pública. Não pelo vírus em si, que não é mais nem menos perigoso que os tipos 1, 2 e 3, mas pela entrada em ação de mais uma variação do microorganismo, já que grande parte da população brasileira não está imune a ele. O vírus ficou sem circular no Brasil por 28 anos e, em julho do ano passado, foram registrados dez casos em Roraima. Desde janeiro, foram mais 18 casos.

A explicação do problema provocado pelo vírus 4 está no sistema imunológico do corpo humano. Quem já teve dengue causada por um tipo do vírus não registra um novo episódio da doença com o mesmo tipo. Ou seja, quem já teve dengue devido ao tipo 1, só pode ter novamente se ela for causada pelos tipos 2, 3 ou 4.

A possibilidade da reincidência da doença é preocupante. Caso ocorra um segundo episódio da dengue, os sintomas se manifestam com mais severidade. E esta reação exagerada do sistema imunológico é um problema. Pode causar inflamações e, por isso, aumenta o risco de lesões nos vasos sanguíneos, o que levaria à dengue hemorrágica. Um terceiro episódio poderia ser ainda mais grave, e um quarto seria mais perigoso que o terceiro.


A dengue no Brasil

No Brasil há relatos de prováveis epidemias de dengue no início deste século. Em 1916, em São Paulo, e em 1923, em Niterói. Entretanto, a primeira epidemia documentada clínica e laboratorialmente ocorreu em Boa Vista, Roraima, em 1982.

Em 1986, o dengue reapareceu de forma epidêmica em três estados (Rio, Ceará e Alagoas), sendo que a maior epidemia ocorreu no Rio de Janeiro, atingindo mais de um milhão de pessoas. Neste ano e nos anos seguintes (até 1989) o sorotipo Den 1 foi o responsável por epidemias e/ou surtos da doença nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Ceará, Alagoas, Bahia e Pernambuco.

A cada ano a doença vem se repetindo no Brasil, onde o maior número de casos se concentra no período de chuvas, que é a época em que as condições ambientais são propícias para o desenvolvimento e proliferação do mosquito vetor. A partir de 1994, as epidemias têm apresentado maior vulto, espalhando-se para todas as regiões geográficas.

Os primeiros casos de dengue hemorrágico apareceram no Rio de Janeiro em 1990, com a introdução de um novo sorotipo, o Den 2. Com a disseminação desse sorotipo para outras regiões do país, infectando pessoas que já haviam contraído a doença anteriormente, foram surgindo casos de dengue hemorrágico em outros estados (Ceará, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Rio de Janeiro). Assim, no período de 1990 a 1998 (dados provisórios), foram confirmados 718 casos que levaram 27 pessoas à morte.

Em 2000 foram registrados 230.910 casos da doença em todo o Brasil, sendo 51 casos de Febre Hemorrágica do Dengue nos estados de Ceará, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte e São Paulo.

A transmissão da doença foi observada pela primeira vez no Estado de São Paulo em 1987, nos municípios de Guararapes e em Araçatuba. No verão de 1990/91 foi registrada uma epidemia de grandes proporções, com início em Ribeirão Preto, que rapidamente se expandiu para municípios vizinhos e outras regiões. A partir de então, as epidemias de dengue vêm ocorrendo todos os anos no Estado.

No Estado de São Paulo no período de 1998 a 2000 tivemos transmissão de Dengue em 102, 101 e 64 municípios do Estado, o que correspondeu a uma incidência de 30,2 (10630 casos), 42,3 ( 15082 casos ) e 9,4 por 100000hab (3520 casos ), respectivamente.

As maiores incidências ocorreram nos meses de verão, mas tem se observado transmissão ao longo do ano, mostrando que a doença esta endêmica em vários municípios.


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Mistura de cal e cloro ajuda a combater Aedes aegypti em canteiros de obras

Uma combinação considerada simples e de baixo custo ? cal e cloro ? está ajudando a combater os focos do mosquito Aedes aegypti em Manaus (AM). De acordo com o pesquisador e responsável pelo Laboratório de Malária e Dengue do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia ? do Ministério da Ciência e Tecnologia (Inpa), Vanderli Tadei, a fórmula pode ser aplicada em água parada pelos próprios funcionários das construtoras.

Em entrevista à Agência Brasil, ele explicou que a fórmula utilizada atualmente para o combate à dengue é falha, uma vez que se mantém a mesma desde 1998, quando foi registrada a primeira epidemia da doença em Manaus. O mosquito, segundo o professor, desenvolveu resistência ao produto.

"Agora, temos uma fórmula que os construtores podem utilizar, de rápida aplicação, sendo que uma pessoa é suficiente para fazer esse monitoramento, desde que treinada", disse. "Com a dengue, não temos muito o que fazer. O controle está centrado no vetor", completou.

Segundo Tadei, a mistura será apresentada aos construtores locais por meio da distribuição de folders que contêm um passo a passo para a aplicação. Ele explicou que a quantidade de água parada em canteiros de obras é alta em razão da necessidade de checar, em diversos momentos, a existência de infiltração.

A combinação de cal e cloro é considerada também ambientalmente correta, uma vez que é biodegradável e pode ser manuseada por adultos.