10 de julho de 2026
Política

Casos de dengue lotam Pronto-Socorro

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

A epidemia de dengue em Bauru, que até a última sexta-feira tinha vitimado 887 pessoas, provocou a lotação do Pronto-Socorro Central (PSC) neste final de semana. Centenas de pessoas com suspeitas de terem contraído a doença procuraram a unidade e complicaram o atendimento no PSC, que já estava lento com a suspensão de plantões no PS da Bela Vista no último sábado e domingo. A rede particular também teve movimento intensificado por conta da dengue. No caso da pública, a Secretaria Municipal de Saúde estuda hoje a possibilidade de criar uma área exclusiva para atendimento da doença no PSC.

A reportagem do Jornal da Cidade foi à unidade de urgência e emergência às 18h de ontem. Sentada em uma cadeira da sala de espera, Aparecida de Fátima Faria, moradora do Núcleo Mary Dota, estava desanimada. Ela contou ter chegado ao PSC por volta das 15h30. "Estou com o corpo todo doído, com febre. Só vim aqui porque estou com suspeita de dengue. Caso contrário, nem viria. Sei que é horrível", relata.

Valdecir José Jerônimo, morador do Jardim Progresso, também estava sem esperança de sair cedo da unidade. "Ontem, vim fazer o exame para suspeita de dengue. Fiquei aqui das 9h às 17h. Acabei de chegar para buscar o resultado e não tenho ideia da hora que vou embora", lamenta.

Boa parte da família de Simone Alves Sombreiro estava no PSC, ontem. Ela, o marido Robson e os filhos adolescentes Vítor e Vinícius também estavam com suspeita da doença. Eles tinham feito o exame no sábado. "Ontem (anteontem) estava bem pior. Vi dois pacientes desmaiando aqui. Na minha opinião, precisava de um lugar separado para atender os casos de dengue", sugere a moradora da Vila Cardia.

Elenita de Souza Sanches e o marido Roberval, que vivem no Parque Santa Edwirges, engrossam a lista dos que aguardavam o retorno do exame para confirmar a suspeita de dengue. No sábado, eles chegaram à unidade por volta das 15h e saíram oito horas depois. "O pior é a demora. E hoje (ontem), ter que enfrentar tudo outra vez", pontua a paciente. Moradora do Jardim Redentor, Maria Regina de Matos sabia que a espera seria longa. "Ontem (anteontem) fiquei sete horas aqui. Hoje (ontem), só me falaram que o atendimento iria demorar", conta.

Único entrevistado pela reportagem que não estava com suspeita de dengue, Hélio dos Santos também não estava satisfeito. O morador do Jardim Araruna estava com suspeita de pneumonia e aguardava a consulta desde 12h30. Ele já tinha feito os exames solicitados e criticou a saúde municipal. "Penso que cada município deva ter sua unidade de urgência e emergência. Bauru não pode fazer uma parceria com prefeituras da região para receber ainda mais pacientes aqui", afirma.

Ele também cobrou a inauguração das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). "Elas ainda não saíram. Mas e quando estiverem prontas? Vai ter médico, funcionário qualificado para atender a população?", questionou.

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Atendimento exclusivo pode ser a saída


O secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, informa que vai estudar hoje a possibilidade de criar no Pronto-Socorro Central (PSC) uma área para atender somente os casos de suspeita de dengue, desafogando o atendimento já complicado na unidade.

"Um ocorrência como a dengue é súbita, você tem um aumento muito grande do número de casos num espaço curto de tempo, ela causa mesmo um abalo na rede pública", observa o secretário, que é médico infectologista. Ele também observa que a sintomatologia da doença demora para desaparecer. "E os sintomas são muito intensos. A pessoa com a doença tem um mal-estar muito grande", explica.

"E não há nada a fazer. Se a pessoa vai várias vezes ao sistema de saúde, o tratamento é o mesmo. Não tem uma terapêutica dirigida a debelar a doença. Quem vai fazer isso é o próprio organismo da pessoa", informa.

"Nós cogitamos inclusive fazer uma unidade especial de atendimento à dengue", adianta Monti. Ele explica que hoje irá conversar com o diretor do departamento de urgência e emergência, Luiz Antônio Sabbag, a possibilidade de destinar uma área dentro do PSC para receber os pacientes com sintomas de dengue. "A ideia é otimizar o atendimento", pontua.