Na manhã de ontem, Bauru fez uma de suas maiores apreensões de ecstasy. Policiais militares encontraram 200 comprimidos do composto sintético popularmente conhecido como a "droga do amor" com dois jovens moradores da cidade, presos por tráfico de entorpecentes. Além da droga, no valor estimado de R$ 6 mil (cada comprimido seria comercializado na faixa de R$ 30,00), foram apreendidos ainda R$ 732,00 em dinheiro, duas seringas lacradas e dois celulares.
Sandro Vinícius Garcia, de 28 anos, e Fernando Osni Santa Rosa, de 27, foram abordados por policiais militares da Base Oeste, que receberam denúncia anônima de que os jovens levariam entorpecentes para uma festa rave (eventos caracterizados pela longa duração, avançando mesmo após o amanhecer) que acontecia na cidade.
Os acusados, segundo os policiais, estavam num automóvel Celta, com placas de Bauru, quando foram parados, por volta das 6h, na rua Célio Daibem, na região central.
De acordo com a PM, apesar deles não terem obedecido ao sinal de parada soado pela viatura, a dupla foi detida logo em seguida, momento em que um dos acusados teria tentado se livrar da droga. Os jovens foram conduzidos ao Plantão Policial, onde foram apresentados ao delegado Ronaldo Divino Ferreira, que reiterou o tráfico.
"Tenho uma longa carreira na Polícia Civil e essa é a segunda vez que faço um flagrante com essa droga. Desta vez, a quantidade de comprimidos foi maior. É uma droga considerada mais refinada, que não costuma fazer o mesmo trajeto de entrada no País da maconha e cocaína", explica o delegado. De acordo com ele, os jovens afirmaram que desconheciam o fato das pílulas serem droga.
"O caso será encaminhado à Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise). Os acusados podem ser condenados a uma pena de 5 a 15 anos de reclusão", explica.
Droga das classes média e alta
Como cada comprimido pode ser vendido entre R$ 30,00 e R$ 100,00, o ecstasy é considerado uma droga de classe média e alta. A informação é confirmada pelo comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI-4), tenente coronel Nelson Garcia Filho. De acordo com ele, enquanto o crack age principalmente entre os jovens das classes C, D e E, o ecstasy tem como alvo as classes A, B e C. "Com essas duas drogas, todas as classes sociais são atingidas. O combate às drogas tem de ser sistêmico", diz.
Na opinião do comandante, a polícia tem que centrar forças contra os macrotraficantes, enquanto aos usuários deve ser garantido tratamento médico.
Garcia informou que só nos dois primeiros meses deste ano, Lençóis Paulista gastou R$ 98 mil para atender dependentes químicos (encaminhá-los para internação). Em 2010 inteiro, o valor não ultrapassou R$ 80 mil. "Se em Lençóis o custo é esse. Imagine em Bauru?", questiona.
Alucinógeno
Chamada droga de recreio ou droga de desenho, o ecstasy é pertencente à família das fenilaminas. Tem ação alucinogénena e estimulante. É, geralmente, consumido por via oral, embora possa também ser injetado ou inalado. Surge em forma de pastilhas, comprimidos, barras, cápsulas ou pó, segundo o Portal dos Psicólogos.
O ecstasy atua mediante o aumento da produção e diminuição da reabsorção da serotonina. Não se conhecem usos terapêuticos para esta substância.
Origem
Em 1912, laboratórios alemães isolaram acidentalmente o MDMA (MetileneDioxoMetaAnfetamina) e, em 1914, patentearam-no como inibidor do apetite. Ele, no entanto, não chegou a ser comercializado. Só nos anos 50 é que, com fins experimentais, foi utilizado pela polícia em interrogatórios e em psicoterapia.
Nos anos 60 e 70 conseguiu grande popularidade entre a cultura underground californiana e entre os frequentadores de discotecas, o que levou à sua proibição em 1985. Foi batizado com o nome de ecstasy (XTC) pelos vendedores como uma manobra de marketing. Na Europa, nos finais dos aos 80, o seu consumo aumentou.
Riscos
A longo prazo, o ecstasy pode provocar cansaço, esgotamento, sonolência, depressão, ansiedade, ataques de pânico, má disposição, letargia, psicose, dificuldade de concentração, irritação ou insônia. Estas consequências podem ainda ser acompanhadas de arritmias, morte súbita por colapso cardiovascular, acidente vascular cerebral, hipertermia, hepatotooxicidade ou insuficiência renal aguda. O consumo de ecstasy e a atividade física intensa podem provocar desidratação e o aumento da temperatura corporal (pode chegar a 42º C), o que, por sua vez, pode levar à hemorragia interna.
Efeitos
Resulta numa forte sensação de amor ao próximo, de vontade de contato físico e sexual. Pode provocar sensação de intimidade e de proximidade com outras pessoas, aumento da percepção de sensualidade, aumento da capacidade comunicativa, euforia, despreocupação, autoconfiança, expansão da perspectiva mental, incremento da consciência das emoções, diminuição da agressividade ou perda da noção de espaço. Também provoca secura da boca, o que pode levar a pessoa a beber muito líquido a ponto de correr risco de morte.