09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

"Julinho pai" - só quem o conheceu sabe...


| Tempo de leitura: 3 min

 
Garça perdeu, talvez, o seu maior ícone político neste final de semana ? o senhor Júlio Marcondes de Moura. Conheci o "seo Júlio" - ou o "Julinho" - quando eu ainda era menino. Na Escola Maria do Carmo, na avenida Faustina, estudei no Primário com seus filhos "Julinho Filho" e com o Cornélio, hoje prefeito de Garça. Na época, Julinho era prefeito (1969, acho). Mas não o conhecia pessoalmente.

Minha relação de amizade ou profissional com Julinho (vou tomar a liberdade para, de maneira carinhosa, me referir a ele assim aqui), teve início quando ingressei no radialismo, em 1987. Estreitou-se mais quando passei para o jornalismo impresso. E é exatamente aí que passei a admirá-lo.

Como repórter, fazia a cobertura das sessões da Câmara (isso por cerca de 10 anos) e acompanhei todas as legislaturas de Cornélio, transformando os acontecimentos do Legislativo local em notícias à população, em linguagem que todos pudessem entender.

Mas se de um lado era fácil fazer boas reportagens sobre a atuação de Cornélio na Câmara, de outro, eu enfrentava, por vezes, o desafio de ter de escrever temas que nem sempre iam ao encontro dos interesses do Executivo, então representado por Julinho. E não se tratava de alguma "pegação no pé", pessoal ou do jornal (extinta Folha de Garça), mas de "ossos" comuns no meio jornalístico ? cobranças por parte da população, busca de respostas e informações com base em pautas do próprio jornal sobre questões diversas, bairros, e assim por diante.

Julinho nunca se esquivou de me atender e conceder entrevista. Falava tudo o que acreditava e defendia o que em sua opinião era de direito. E mesmo quando em textos informativos ou de opinião, o jornal ou eu, rspectivamente, não concordávamos com ele, soube entender e administrar bem isso.

Um exemplo recente dessa boa relação que sempre mantive com ele foi a maneira calorosa que me recebeu, ano passado, quando fui gravar, em sua casa, um vídeo-documentário, sobre a sua vida ? a "Vida de Julinho". Ele respondeu a todas as perguntas formuladas. Contou histórias políticas, da vida pessoal, falou de personalidades, de suas gestões como prefeito em Júlio Mesquita, Álvaro de Carvalho e Garça. Falou dos filhos e netos com carinho e também se emocionou.

Ficou muito agradecido pela iniciativa do vídeo-documentário e me convidou para voltar quantas vezes quisesse.

Falem o que quiserem desse homem, mas quem o conheceu de maneira pessoal, quem foi ajudado por ele quando estava ou não no poder, sabe que tipo de pessoa ele era. Que grande coração ele tinha.

Julinho não era um homem perfeito. Possivelmente cometeu erros como prefeito e talvez como pessoa. Mas seu carisma, sua vontade de viver, de trabalhar pelo povo sobrepujou aquilo que não o fazia mais do que realmente era. E o que Julinho, com certeza, foi o suficiente para aqueles que conviveram com ele, para quem o conheceu.

Agora, resta alguém se sentar e escrever esta história - recolher as informações e as imagens e organizar tudo para que as gerações atuais e as vindouras possam saber que um dia, em Júlio Mesquita, Álvaro ou Garça, existiu um homem que foi prefeito, deputado, marido, pai, avô, amigo e alguém que ganhou o respeito ? e eu, particularmente, sei disso - de muita gente importante neste país. Este alguém é Julinho.


Paulo Francisco Scutari - membro da Apeg - Associação de Poetas e Escritores de Garça