08 de julho de 2026
Internacional

Aliados já discutem derrubada de Gaddafi

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Washington - Os países líderes da operação militar que há dez dias impõe uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia, autorizada pela ONU, começaram a discutir planos para depois da eventual derrubada do ditador líbio, Muammar Gaddafi, no poder desde 1969.

Os presidentes dos EUA, Barack Obama, e da França, Nicolas Sarkozy, participaram ontem de uma teleconferência com o premiê do Reino Unido, David Cameron, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, para discutir a situação no norte da África.

Segundo fontes da Presidência francesa, na teleconferência foi debatido um plano elaborado por Reino Unido e França para tentar assegurar uma transição democrática na Líbia. Estava previsto para a noite de ontem um discurso de Obama sobre o país, transmitido pela TV.

Em declaração conjunta, Sarkozy e Cameron voltaram a defender que Gaddafi deixe o poder já e aconselharam que seus aliados o abandonem "antes que seja tarde".

Chanceleres dos países participantes da ação militar têm reunião prevista para hoje, em Londres, para discutir os rumos das operações, cujo comando está sendo assumido pela Otan (aliança militar ocidental) - o que deve fazer os EUA retirarem do Mediterrâneo alguns de seus navios.

Ao mesmo tempo, diplomatas dos EUA dizem estar recebendo informações de que Gaddafi busca um modo seguro de deixar o poder.

Antes da reunião londrina, o chanceler da Itália, Franco Frattini, propôs-se a mediar um cessar-fogo e sugeriu que o ditador se asile em outro país africano: "Gaddafi tem de entender que sair é um ato de coragem. Espero que a União Africana chegue a uma proposta válida", disse.

Um alto funcionário americano sinalizou que Washington não faria objeção à fuga de Gaddafi para um país que não seja membro do Tribunal Penal Internacional, que poderia julgar o ditador líbio por crimes contra a humanidade.


Ataques de ontem


Os insurgentes líbios continuaram se aproximando de Sirte -cidade de importância estratégica na direção da capital, Trípoli - após retomarem os polos petrolíferos de Ras Lanuf e Bin Jawad. Um porta-voz rebelde chegou a anunciar a tomada da cidade, não confirmada.

Apesar de Sirte ter sido alvo de novos ataques aliados, ontem à noite e ontem de manhã, o avanço da insurgência foi contido a cerca de 80 km da cidade pelas tropas de Gaddafi, que receberam reforços vindos de Trípoli.

A Rússia, que se absteve de aprovar a ação militar no Conselho de Segurança da ONU, criticou a operação e disse que ela está indo além dos limites fixados pelo CS - argumenta-se que em Sirte, bastião do ditador líbio, não havia ameaça a civis.

As forças de Gaddafi anunciaram ter dominado Misrata, a terceira maior cidade líbia, no oeste do país. Apesar disso, ainda era possível ouvir tiros e ver colunas de fumaça em diversas áreas.


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Obama tenta convencer norte-americanos


Washington - Ao discursar sobre a situação na Líbia, o presidente dos EUA, Barack Obama, justificou a ação militar no país dizendo que foi preciso mensurar os interesses americanos antes de ordenar a intervenção e que a passividade frente à tirania do ditador Muammar Gaddafi teria "custado mais caro".

"É verdade que os EUA não podem usar seu poderio militar contra todos os problemas do mundo, por isso tivemos que pesar e medir nossos interesses, e não era do nosso interesse nacional que Gaddafi retomasse o poder em Benghazi (reduto dos rebeldes). Mas estes não foram os únicos motivos. Fizemos o que a própria oposição líbia nos pediu para fazer", disse.