09 de julho de 2026
Geral

Mulher morre em casa e família critica a demora do Samu

Por Da Redação | Com Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

Marlene Aparecida de Souza, 50 anos, morreu na manhã de ontem dentro de sua casa, no Parque Nova Paulista. A causa da morte só será conhecida após a emissão de um laudo por parte do Instituto Médico Legal (IML), porém, a família da vítima acusa o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de falha e descaso no atendimento à mulher.

O médico e coordenador do Samu de Bauru, Carlos Eduardo Sacomandi, informou ao JC que somente hoje será possível ouvir as gravações das chamadas feitas ao órgão para analisar se houve falha por parte do profissional que fez a triagem por telefone (leia mais no texto abaixo). Segundo ele, se for constatado que houve erro no atendimento, serão tomadas "as devidas providências".

Enquanto isso o delegado do Plantão Policial Paulo Calil diz que, se for constatada negligência médica a partir do laudo do IML, será instaurado um inquérito policial.

De acordo com informações obtidas pela reportagem do JC, a sobrinha da vítima, Diana Ferreira de Mattos Bernardo, 27 anos, chegou à residência de sua tia - na rua Tomegiro Sugano, 1-36 - pouco antes do meio-dia de ontem. Após chamá-la por várias vezes e não ser atendida, entrou na casa e encontrou Marlene caída no chão, desacordada.

Desesperada, Diana chamou pelos vizinhos, que a ajudaram no pedido de socorro. Às 11h55 uma vizinha teria feito a primeira ligação para o Samu. Segundo ela, o atendente teria pedido para que alguém que estivesse próximo à vítima fizesse a ligação para fornecer mais detalhes.

Então, às 12h10 o contato teria sido feito pela própria Diana. Segundo ela, o atendente teria informado que havia somente três viaturas em operação naquele momento e que não seria possível enviar uma até o local de imediato.


Terceira vez


Segundo Diana, um terceiro contato foi feito às 12h26, quando o atendente do Samu teria perguntado se a vítima estava respirando ou se estava morta. Abalada com a situação, Diana disse que não sabia informar.

"Eu falei que ela já estava amarela e gelada, mas não sabia se estava morta. Aí o funcionário me disse que qualquer um saberia ver se a pessoa está morta. É um descaso total, como não prestar atendimento. Se a polícia não chegasse, eles nem viriam", reclama Diana.

Ela diz que precisou acionar a Polícia Militar em função da demora do Samu em prestar atendimento e que, só depois que a PM acionou o Samu, uma viatura foi deslocada à casa de Marlene. Contudo, neste momento a mulher já estava morta.

A reportagem do JC conversou com o cabo PM Ociomar, que atendeu a ocorrência. Segundo ele, assim que chegaram ao local, os policiais tentaram reanimar Marlene.

"Tentamos fazer uma massagem cardíaca na vítima, mas ela já estava em óbito. Nós reforçamos o pedido de socorro ao Samu, e depois de 10 ou 15 minutos eles chegaram", disse.

Elen Caroline Bernardo, 18 anos, filha de Marlene, também se revoltou com o ocorrido. "Eu estava no médico, no Jardim Redentor. Tentei ligar também (para o Samu) na hora que eu cheguei, mas quando uma mulher atendeu, ela nem disse seu nome, não nos deu atenção. Minha mãe só estava com tosse, mas se teve um desmaio, eles tinham que atendê-la. Foram negligentes", lamentou.

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Gravações


O médico e coordenador do Samu de Bauru, Carlos Eduardo Sacomandi, informou ao JC que somente hoje será possível ouvir as gravações das chamadas feitas por familiares da vítima ao órgão ontem.

Após ser acionado pela reportagem do JC, ele entrou em contato com o médico que teria atendido os chamados - cujo nome não foi divulgado - para fazer uma avaliação prévia da situação.

"O médico negou que tenha dito ao telefone que qualquer um sabe ver se uma pessoa está morta ou não. Segundo ele, na primeira ligação feita por uma vizinha, ela teria dito que a vítima estava respirando. Por isso, num primeiro momento o caso foi classificado pela cor verde. De fato, naquele momento, as quatro viaturas do Samu que estavam rodando pela cidade estavam fazendo outros atendimentos", diz Sacomandi.

Segundo ele, quando o médico em questão recebeu a ligação feita por Diana - sobrinha da vítima -, ela teria explicado melhor a situação e a classificação passou para "amarelo". Isso teria ocorrido já próximo de 12h30.

"Depois disso uma viatura foi deslocada para lá, mas o médico me confirmou que, realmente, a Polícia Militar acabou chegando antes e que quando o Samu chegou a mulher já havia falecido. Depois de ouvir as gravações, vamos avaliar o caso e tomar as medidas que forem necessárias se o procedimento adotado tiver apresentado falhas", diz o coordenador do Samu.

Segundo ele, ontem as quatro ambulâncias do Samu - sendo três de suporte básico e uma de suporte avançado - que estão em funcionamento estavam fazendo atendimentos no momento em que foi feito o pedido da família de Marlene de Souza. Outras quatro viaturas estão em Araçatuba em uma concessionária autorizada passando por manutenção, cinco estão em uma concessionária de Bauru e uma parou de rodar anteontem devido a um problema mecânico.

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Polícia Civil acompanha o caso


O corpo de Marlene Aparecida de Souza foi encaminhado ao Instituto Médico legal (IML) de Bauru para que a causa da morte seja apurada. O delegado do Plantão Policial Paulo Calil informou que foi solicitado um exame necroscópico para avaliar se a demora no socorro teria colaborado para o óbito da mulher.

Ainda segundo o delegado, o resultado do exame deve ser divulgado em 10 dias, e se for constatada negligência médica, haverá a instauração de um inquérito policial. "Isso é muito grave e não podemos deixar de apurar", finaliza Calil.