11 de julho de 2026
Nacional

?Um homem como José Alencar não morre?, diz ex-assessora Vera Pinheiro

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Foi exatamente com essa frase que a amiga e ex-assessora Vera Pinheiro exprimiu a morte do saudoso José Alencar na tarde de ontem. O pequeno menino que chegou à cidade de Muriaé, Estado de Minas Gerais, com um sonho de tornar-se um grande homem de negócios conseguiu atingir seu objetivo.

Ainda consternada, porém, como ela mesma disse, "sem lágrimas por conta da dor tremenda", Vera relatou à equipe de reportagem do Jornal da Cidade, através do telefone, que José Alencar era exatamente como aparecia nas emissoras de televisão: um homem alegre, que tinha todas as virtudes de uma pessoa que queria transmitir amor e carinho ao próximo.

"Ele jamais deixou a amargura transparecer, mesmo quando estava muito doente por conta do câncer. E uma coisa um pouco contraditória é que ele acabava servindo de consolo para as pessoas que ficavam preocupadas com o estado de saúde dele. Ele disse muitas vezes a frase que Deus não precisaria de um câncer para matá-lo", contou Vera.

Sempre apegado à fé e, em especial, a Deus, Alencar nunca demonstrou medo da morte por conta de sua doença. Vera lembra com carinho que o ex vice-presidente da República nunca deixou de se preocupar com os assuntos relacionados ao seu gabinete. "Ele fazia questão de responder pessoalmente todas as cartas e mensagens de fé que recebia quando estava doente. Eu acredito que isso também o ajudou muito a conseguir levar a sua via por muitos anos com esse câncer".


Morte


Alencar parecia mesmo, segundo a ex-assessora, não querer morrer nunca, ou não pensar nessa possibilidade. "Ele dizia que queria assistir à formatura dos netos e bisnetos em tom muito bem humorado. Parecia que iria viver por centenas de anos. Ele era um homem que realmente amava a vida", acrescentou Vera.

A repercussão da história de vida de Alencar marcou tanto a vida de brasileiros em geral, porque ele é o espelho da história de muitos deles: que começaram vindo da pobreza e conseguiram alcançar objetivos. José Alencar serviu de estímulo para que o livro "José Alencar- Amor à Vida" fosse escrito pela jornalista e colunista Eliane Cantanhêde.

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O patrão que todos querem ter


A relação de José Alencar com seus assessores era uma das melhores, segundo Vera Pinheiro, que trabalhou com o ex-vice-presidente durante seis anos. "Sabe aquele chefe que elogia seu trabalho? Ele era assim. E quanto queria sugerir alguma mudança dizia em tom suave, com aquela voz forte dele: ?a senhora não acha que poderia mudar...? Antes de deixar o mandado para o sucessor Michel Temer (PMDB) ele escreveu uma carinhosa carta de agradecimento e despedida aos assessores que trabalharam com ele. "Eu me aposentei em 2007 e ele me disse: ?você vai me deixar?? Eu disse: ?não, só se o senhor quiser? E trabalhei com ele muito feliz até o final de seu mandato", contou Vera.

Vera relembrou emocionada do momento em que ela adoeceu. Mesmo com o câncer, Alencar se preocupou com a funcionária. "Eu lembro que estava em casa e ele me ligou dizendo: ?como está a senhora?? com aquela voz inconfundível. Eu fiquei surpresa. Mas ele era uma pessoa que fazia questão de transmitir carinho e afeto ao próximo".

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Despedida


A última imagem que Vera Pinheiro, ex-assessora de José Alencar, tem dele é uma imagem boa. Ele feliz, sempre sorridente como era. Vera acredita que ele não morreu, se deixou ir, e somente aguentou tanta dor do câncer no abdome para conseguir cumprir seu mandato. "Não houve uma despedida porque jamais pensamos que aquele seria o último dia. Sempre havia a expectativa de uma recuperação. De ver ele saindo do hospital como muitas das vezes. Um homem como José Alencar não morre. Ele passou para o plano espiritual e vai continuar sua vida por lá", finaliza Vera.

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Legado


O economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Reinaldo Cafeo, também expressou o sentimento de perder um homem importante para o País, como José Alencar e destacou seu papel na história.

"José Alencar teve um papel importante porque tinha uma postura de estadista e também foi um exemplo para o meio empresarial. Alencar conseguiu atingir seu objetivo, o de ser um grande empresário vindo da simplicidade. Com certeza sua morte nos entristece, mas por um lado ele deixa um grande legado", Cafeo