Buenos Aires - Responsável por fechar veículos de comunicação na Venezuela, o presidente Hugo Chávez foi condecorado ontem na Argentina com um prêmio de jornalismo por seu apreço à liberdade de imprensa e por incentivar a comunicação popular.
O presidente venezuelano recebeu da faculdade de jornalismo da Universidade Nacional de La Plata o "Prêmio Rodolfo Walsh".
De acordo com Florencia Saintout, professora da universidade, o prêmio a Chávez partiu da central dos estudantes com o objetivo de reconhecer seu esforço em "dar a palavra aos sem voz", citando a criação da rede Telesur, de viés bolivariano.
Aos gritos de "viva Guevara!", "viva Perón!" e "viva Néstor Kirchner!", Chávez recebeu o prêmio afirmando que ele é uma resposta "à dominação e à hegemonia imperialistas".
"A ditadura midiática da burguesia não vai me intimidar", bradou ele.
O prêmio causou polêmica na Argentina, principalmente pelo momento em que foi concedido. No último domingo, por causa de bloqueio de sindicalistas ligados ao governo Cristina Kirchner, os jornais "Clarín" e "Olé" não circularam. O "La Nación" também foi afetado.Os jornais, críticos ao kirchnerismo, se queixam de que o governo incentiva e adota medidas com o objetivo de sufocá-los.
Hugo Chávez tem um longo histórico de conflitos com os meios de comunicação da Venezuela.
Sua atitude já foi rechaçada por organizações internacionais em prol da liberdade de imprensa e de expressão.Segundo a SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa), o governo venezuelano fechou 32 emissoras de rádio e atua para intimidar a mídia.O "Prêmio Rodolfo Walsh" é concedido pela universidade desde 1997 a personalidades da Argentina ou da América Latina que lutaram pela liberdade e democracia.