08 de julho de 2026
Turismo

Maranhão múltiplo

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 4 min

Não é miragem: os Lençóis existem


De avião - bimotor - a viagem entre São Luís e Barreirinhas dura perto de uma hora.

As aeronaves comportam no máximo quatro passageiros, que de antemão já saberão que existe hora para ir e hora para voltar, por conta da meteorologia.

Chove muito na região, principamente entre junho e julho, e para garantir a visibilidade necessária para o retorno, os pilotos determinam o horário exato do "check-in". Evitando os incômodos sacolejos que todo

Passageiro sabe como é durante tempestades. Ainda mais em aeronaves pequenas que voam no meio das nuvens e em cima do mar.

Se a opção for por via rodoviária, basta se inteirar sobre quais empresas fazem o percurso. E garantir o direito a paradas para lanche num posto de estrada que também vende souveniers, incluindo panelas de barro.

A rodovia é duplicada e segura e a viagem dura uma média de três horas.

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Rio Preguiças e Caburé


Impossível não se sentir extasiado ao avistar os lençóis, que ocupam uma imensa área, equivalente à Grande São Paulo. Não é uma miragem.

As imensas dunas de areias finas como talco e que se tornam douradas por conta da ação dos raios solares estão ali, assim como as piscinas naturais formadas pela sucessão de lagoas. Existem várias lagoas para serem visitadas. Dentre elas, Azul, Bonita, Esperança e Lagoa do Peixe.

O Parque Nacional dos Lençóis é mesmo uma das mais belas atrações do Maranhão e do mundo. Além das dunas e lagoas que estão por todos os lados e são de tirar o fôlego, o parque oferece outras aventuras. Que passam por passeios de barco pelo rio Preguiças ou por trilhas ao redor do Parque.

Ali é possível fazer caminhadas ecológicas, incluindo a travessia dos Lençóis Maranhenses, passando pelos povoados de Queimada dos Britos e Baixa Grande, verdadeiros oásis no meio do imenso deserto.

Outro atrativo imperdível é a descida pelo rio Preguiças até o povoado de Caburé, com lanchas "voadeiras" num passeio de 45 minutos, com direito, no final, pela beleza deslumbrante da localidade e o encontro com o mar.

De barco, subindo o rio Preguiças, o visitante avistará guarás vermelhos - símbolo do Maranhão -, garças, manguezais e moradas típicas de pescadores. Não se esqueça que o filme "A Casa da Areia", com Fernanda Montenegro e Fernanda Torres, foi filmado lá. Tudo cercado por uma vegetação exuberante.

A primeira parada é o Farol de Mandacaru, cercado por pés de caju e que oferece, lá do alto, uma visão mágica do lugar. A única coisa que você não pode esquecer é do repelente, já que os "carapanãs" (os pernilongos imensos da região) não poupam sangue paulista.


Coisa mais linda


O Farol de Mandacaru é um lugar fantástico para bater aquela foto inesquecível que mostrará no seu retorno, deixando os amigos de boca aberta diante da beleza do lugar. Do outro lado do rio Preguiças está Caburé, que já conta com boa estrutura turística, pousada e restaurante onde são oferecidos pratos à base de peixe fresquinho.

Seguindo a correnteza do rio e cruzando com moradores da região que usam os agarapés para chegar em casa com seus barquinhos simples, de madeira, chega-se até Atins, onde as águas se encontram com o mar.

Um pedaço do paraíso para quem quer esquecer todas as preocupações diárias e agradecer a Deus pela existência.

Estando em Atins, a dica é conhecer as praias desertas banhadas pelo Atlântico nos Pequenos Lençóis, uma versão reduzida do original. Pelas trilhas que partem da cidade, consegue-se chegar os pontos mais bonitos do Parque dos Lençóis.

Como já foi dito antes, o ideal é viajar para lá entre março e setembro, quando as chuvas se encarregam de preencher cada espaço vazio entre as dunas com água da mais pura e as milhares de piscinas naturais convidam os visitantes para um mergulho refrescante.


Reggae, bumba-meu-boi, casarões com fachada de azulejos, o sobe e desce da maré, os grandes lençóis e as cachoeiras da Chapadas das Mesas... O Maranhão, em termos de turismo, sai à frente pela multiplicidade de opções. Em qualquer época do ano, mas principalmente agora - de março a setembro -, estação das cheias, um de seus muitos cartões postais, os Lençóis Maranhenses, apresenta paisagens incomparáveis. Com as piscinas naturais se enchendo de cores que vão do azul escuro turquesa ao verde esmeralda.

Embora hoje se chegue rápido e sem problemas aos grandes lençóis por terra, a dica, estando ou indo para lá, é sobrevoar esse lugar que é único no mundo.

Uma paisagem desértica com vida. A porta de entrada é a graciosa cidade de Barreirinhas que deu um salto de progresso. Se há uma década havia apenas e tão somente por lá uma pousada, hoje elas se multiplicaram. Há restaurantes, lojas comerciais, hotéis cinco estrelas e toda uma infraestrutura voltada aos visitantes.

O gostoso é que apesar do "boom", se mantém autêntica, sem esnobismo. Como é bom passear de chinelão por suas ruas que misturam paralelepípedos com areia, sentar junto às sombras das árvores repletas de flores, interagir com o povo dali.

Gente que sem pressa vai lhe contar como era Barreirinhas há mais de 20 anos e das dificuldades para até alimento e remédio chegar por lá.