08 de julho de 2026
Pesca & Lazer

Pesca comercial ameaça ciclo de reprodução


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Em Abrolhos, um dos maiores santuários marinhos da América do Sul, peixes de alto valor comercial e importantes para a regulação do ecossistema são capturados abaixo do peso e do tamanho mínimos para reprodução, ameaçando o equilíbrio de toda a região.

"Esses peixes saem do ambiente antes de estar maduros, sem deixar descendentes que garantam os ciclos de reprodução??, diz Matheus Oliveira de Freitas, pesquisador do Museu de História Natural Capão da Imbuia (RS).

Ele coordenou um estudo inédito sobre o ciclo reprodutivo de algumas das espécies mais pescadas em Abrolhos, no sul da Bahia e norte do Espírito Santo, incluindo as famílias dos badejos, garoupas e vermelhos.

Os cientistas esperam que o trabalho ajude na regulamentação da pesca dessas espécies que, por enquanto, podem ser capturadas livremente, sem restrição alguma de época e tamanho.

No Brasil, ao contrário de boa parte da América do Norte e do Caribe, há grande deficiência de informações sobre a dinâmica reprodutiva de peixes ameaçados e com grande valor comercial. Sem esses dados não é possível gerir a pesca de forma sustentável, minimizando os danos ao ambiente.


Predadores


No caso de Abrolhos, os peixes mais valorizados são também grandes predadores que ajudam no controle de outras espécies menores. Algo essencial para a manutenção do delicado equilíbrio nos recifes de corais.

Após dois anos e meio de trabalho analisando os exemplares capturados por pescadores da região, os cientistas conseguiram identificar o período de reprodução dos peixes, bem como características de tamanho e dinâmica de movimentação.

Ainda falta, porém, descobrir os locais exatos de desova. Com isso será possível criar pontos de bloqueio à pesca no período de reprodução, entre outras medidas. "Na desova, esses peixes se concentram em grandes cardumes, às vezes com milhares de indivíduos. Isso os torna mais vulneráveis aos pescadores??, diz Freitas.

Para chegar até esses locais, o grupo espera ter a ajuda dos próprios pescadores. Cerca de 70% da pesca no arquipélago é artesanal.

"Os pescadores sabem onde estão muitos pontos de desova. Queremos mapeá-los juntos?? conta o coordenador do trabalho, publicado na revista "Scientia Marina" e financiado pela ONG Conservação Internacional.

Segundo ele, todas as descobertas foram repassadas aos pescadores em palestras, para conscientizá-los da importância de respeitar o desenvolvimento dos peixes.

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Os preferidos dos pescadores


Badejo

Peixes de escamas; coloração escura (marrom ou cinza, dependendo da espécie), com manchas cujo padrão e coloração também varia com a espécie. A mais comum é o badejo-mira Mycteroperca rubra que apresenta manchas claras e irregulares no corpo. Os badejos são peixes típicos de costões rochosos e recifes de corais, mas também podem ser encontrados em estuários, em locais onde existem tocas. Nunca spo encontrados em águas com baixa salinidade. Vivem sozinhos ou em pequenos grupos de 5 a 10 indivfduos. São peixes carnívoros, que se alimentam de peixes, moluscos, crustáceos e equinodermos. São muito apreciados pelos pescadores esportivos e pelos comerciais.

Garoupa

Peixe de escamas pequenas; corpo, cabeta e boca grandes. A coloração é parda avermelhada, com manchas esverdeadas nos flancos, formando faixas verticais; o ventre é amarelado. As nadadeiras spo arredondadas, escuras com a margem clara. Alcanta mais de 1m de comprimento total e 60kg. É encontrado ao longo do litoral brasileiro, nos fundos de pedras e corais ou onde existem estruturas submersas, onde vive em tocas. Eventualmente pode ser encontrada em estuários. Alimenta-se de peixes, lagostas, camarões, ouritos, moluscos e lulas. Como a carne T de excelente qualidade, tem grande importância comercial principalmente no Sudeste do Brasil.

Vermelho

Peixe de escamas com corpo largo, cauda lunada. Nadadeira dorsal moderada bilobada e nadadeira anal agudamente apontada. Nadadeira peitoral longa. Dentes relativamente pequenos similares em ambas maxilas. Podem atingir quase 1 m de comprimento e ultrapassar a marca de 10 Kg. Coloração Oliváceo no dorso, avermelhado nos flancos, mais pálido no ventre, com muitas áreas avermelhadas ou rosadas, por vezes em quase todo o corpo. Há fase em que ocorrem barras pálidas sobre o fundo mais escuro do dorso e o ventre é amarelo-alaranjado. A pélvica, a anal e a peitoral são de um vermelho-tijolo. Uma linha azul brilhante sob o olho, muito evidente, mais larga na parte superior. Outras manchas e linhas azuis atrás e em volta do olho. A íris é de bronze a vermelha. Uma mancha escura, do tamanho do olho, encontra-se sob a origem da parte mole da dorsal, justaposta à linha lateral e de contorno bem definido. Os exemplares de águas mais fundas tem a cor vermelha mais intensa. Bastante apreciado pela qualidade de sua carne que, além de firme e branca, apresenta sabor suave e agradável.


Fonte: www.fotodepesca.com.br