10 de julho de 2026
Nacional

USP aprova bônus maior para alunos de escolas públicas no vestibular

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - A Universidade de São Paulo (USP) aprovou ontem aumento de bônus, de 12% para 15% no seu vestibular, para alunos de escolas públicas. A bonificação terá como base o desempenho do estudante na primeira fase da Fuvest.

As outras mudanças no vestibular que estavam na pauta da reunião ontem - como o número de aprovados para a segunda fase e a composição da nota de corte - serão discutidas em novo encontro que ainda será marcado.

A instituição busca aumentar a presença de alunos do sistema oficial em seus cursos - eles são 85% das matrículas no ensino médio, mas só cerca de 25% dos aprovados no exame.

Até este ano, quem se formou no ensino fundamental e seguiu na rede no médio ganhava 3% de bônus "automático", mais bonificações dependendo da nota em prova específica a alunos do terceiro ano público (Pasusp) e na primeira fase da Fuvest.

A ideia é que, no 2.º ano, esse aluno preste como treineiro (sem direito à matrícula) e ganhe até 5% de bônus para o ano seguinte, quando poderá receber até 10% a mais (se acertar ao menos 60 das 90 questões da 1.ª fase). Os ganhos serão proporcionais aos acertos na prova.

Com a medida, o grupo que desenhou o novo modelo espera que alunos de escolas públicas tenham contato mais cedo com a USP e se inscrevam mais na Fuvest. Até agora, mesmo com as medidas de incentivo lançadas em 2006, o número de inscritos da rede pública no vestibular teve queda. Segundo a simulação, o bônus médio seguirá entre 6% e 7%, o que garantiria alunos aptos a acompanhar a graduação.


Protesto


Durante a reunião, representantes dos estudantes, dos cursinhos populares da USP e do Núcleo de Consciência Negra protestaram contra as mudanças. Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da universidade, a reitoria não discutiu as mudanças com os representantes dos alunos e dos movimentos interessados.

"Nossa campanha é pela ampliação de vagas na USP e por cotas sociais e raciais. Queremos uma audiência publica com a reitoria para discutir essas reivindicações", afirmou a coordenadora da rede Emancipa de cursinhos populares, Bianca Bogiani Cruz.

Segundo os organizadores do protesto, o Programa de Inclusão Social da USP (Inclusp) - que teve início em 2006- não aumentou a inclusão social na universidade. "O programa privilegia a avaliação seriada e os alunos de cursinhos caríssimos. Queremos discutir abertamente uma política mais democrática de acesso à USP. Atualmente, apenas 25% dos calouros são da rede pública de ensino", disse Bianca.