A Associação Paulista de Supermercados (Apas) apresentou na noite de ontem a supermercadistas, fornecedores e autoridades bauruenses o projeto "Vamos tirar o planeta do sufoco". O intuito do projeto é abolir, ou pelo menos diminuir em uma primeira etapa, o consumo de sacolas plásticas em supermercados.
Para tentar convencer os bauruenses a abolir esse hábito, de certa forma confortável porém extremamente poluente ao meio ambiente, o presidente da Apas, João Galassi, apresentou o exemplo de uma ação implantada em Jundiaí. Ele esteve na cidade ontem para o evento de mobilização dos empresários do ramo para o 27.º Congresso e Feira Internacional de Negócios em Supermercados, que será realizado em maio, em São Paulo.
Em Jundiaí, a ação da Apas conseguiu tirar 480 toneladas de sacolas plásticas de circulação em seis meses. Neste período elas foram substituídas tranquilamente, com boa adesão dos consumidores, por 132 milhões de sacolas retornáveis.
"Nós esperamos ter uma adesão do prefeito, que já tem em si um DNA ambiental. Posteriormente, se houver a aceitação, vamos fazer várias reuniões para de fato conseguirmos implantar isso na cidade. Nós vamos também, posteriormente, orientar como as lojas podem ser mais sustentáveis. Algumas já fazem uso da luz natural, da água das chuvas", destacou o diretor regional da Apas, Erlon Godoy Ortega.
É interessante lembrar que há cerca de 20 anos era comum as pessoas irem aos supermercados munidos de sacolas retornáveis. Ou então, o estabelecimento oferecia sacos de papel para o transporte das mercadorias adquiridas.
"Tudo começou (o uso das sacolas plásticas) como uma iniciativa de agradar o próprio consumidor, que acabou poluindo o planeta de uma forma desenfreada. O saco de papel também era um problema por conta das árvores que eram utilizadas para a fabricação. Então como essa iniciativa, que não tem nenhuma ?contra-indicação?, foi bem aceita em Jundiaí, vamos tentar implantar o projeto em todo o Estado começando com uma campanha de conscientização", disse Galassi, presidente da Apas.
Feira internacional
Além do destaque para a sustentabilidade, o intuito primordial do evento promovido pela Apas em Bauru, na noite de ontem, foi o convite para mobilizar os supermercadistas, fornecedores e autoridades a participar da 27ª edição do Congresso de Gestão e Feira Internacional de Negócios em Supermercados - Apas 2011.
A expectativa, segundo o diretor regional da Apas em Bauru, é de que cerca de 500 bauruenses do ramo participem do encontro que irá apresentar as tendências tecnológicas, abordar como está o perfil do atual consumidor no Estado, entre outros inúmeros serviços ali oferecidos.
"Quem participar da feira encontrará de tudo um pouco do ramo. Variedades de carrinhos, caixas, como montar sua loja "verde", ou seja, mais ecológica, cursos para funcionários em diversas áreas diferentes", destaca Erlon.
O presidente da Apas chama a atenção para a quantidade de palestras que serão ministradas por especialistas nacionais e internacionais no evento: 100 em um período de quatro dias. "Quem participar da feira encontrará um painel amplo das tendências do consumidor também. Queremos saber quais são as suas atuais necessidades", acrescentou Galassi.
?Fruto da terra?
Apesar de Bauru támbém comportar empresas internacionais no ramo de supermercados, segundo Erlon Ortega, diretor regional da Apas, as três lojas que estão no topo do ranking supermercadista da cidade são as regionais. "Estas interagem mais com o consumidor, acompanhando os perfis da comunidade e já criaram uma identidade com eles", afirma Erlon.
Economia local provoca expansão de franquias
Os resultados positivos da economia de Bauru nos últimos anos têm atraído os olhares de grandes redes e franquias. Além da instalação de empresas supermercadistas e novos shoppings, a cidade é alvo de empresários que já atuam no município e devem aumentar o número de lojas abertas em pontos estratégicos.
Por ser uma das cidades mais visadas do Interior paulista e com forte economia em termos regionais, Bauru é vista com prioridade por investidores. É o caso de uma das redes comerciais mais conceituadas do País, a Brasil Fast Food Corporation (BFFC), que administra várias franquias, entre elas a Bob?s que já atua no mercado bauruense e em breve estará com outras quatro lojas na cidade e igual número de quiosques.
O presidente da BFFC e da Associação Brasileira de Franchising, Ricardo Bomeny, esteve em Bauru ontem para fazer uma "radiografia" do mercado local.
Ele explicou como e quando será feito o trabalho de instalação dessas novas lojas em Bauru. "Nós estamos interessados em expandir a franquia, não só no novo shopping, mas também em todos os espaços que pudermos. Serão vários formatos do Bob?s instalados de forma ordenada, em um período de dois anos", conclui Bomeny.
Um dos motivos mencionados por ele para que a franquia seja fortalecida aqui é a situação econômica de Bauru, através da vinda de novas empresas e a instalação do segundo shopping na cidade - o Shopping Nações, com inauguração prevista para 2012.
Vagas de trabalho
A expansão das franquias em Bauru causa impacto direto na economia e contribui para a geração de emprego e renda. Dentro do modelo das novas lojas da rede Bob?s, devem ser gerados entre 200 e 300 novos postos de trabalho na cidade.
De acordo com Marcelo Farrel, diretor de marcas da rede, o incremento da economia é apenas um dos efeitos positivos com a ampliação da rede em Bauru. "Além dessas vagas de trabalho, nós atuamos com frequência em campanhas comerciais, que geram uma demanda maior na área de comunicação, como também geração de empregos indiretos, que são pessoas contratadas para panfletagem, e divulgações no dia a dia", observa.
Ovos de Páscoa
A Associação Paulista de Supermercados (Apas) começará a estudar estratégicas novas de displays para ovos de Páscoa a serem instalados nos supermercados.
"Até que ponto as ?parreiras? são boas para o consumidor? Será que elas não deveriam ser modificadas? Por que não fazer uma nova embalagem mais sustentável e que possa ser colocada em outros displays?", questionou João Galassi, presidente da Apas.
Ele diz que já presenciou displays diferentes, como gôndolas, e que isso possivelmente atrai mais o consumidor. "A posição de ficar olhando para cima já não é tão confortável. Tem pessoas ainda que não alcançam os ovos. Mas a prateleira tem o problema de queda, os ovos podem quebrar. Então, tudo isso será discutido com a Associação das Indústrias de Chocolate e varejo", pontua.
Este ano a Páscoa está ?mais barata?. De acordo com o Índice de Preços dos Supermercados (IPS) desenvolvido pela Apas em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), em fevereiro deste ano o preço do chocolate teve queda de 2,55%.
?Bauru é a capital do supermercado?, diz Erlon
A Regional Bauru da Associação Paulista de Supermercados (Apas) conta com 91 empresas associadas, sendo um total de 144 lojas em 47 cidades. Em 2010, a região apresentou 3,2% do faturamento de todo o setor supermercadista do Estado de São Paulo, cerca de R$ 1,86 bilhão.
Com dezenas de supermercados além dos atacarejos (lojas que vendem produtos com preços de atacado e de varejo), Bauru também possui uma boa representação no Estado e levando-se em consideração a magnitude da feira internacional, que acontecerá no Estado de São Paulo, Bauru já pode ser considerada a capital mundial do supermercado, segundo Erlon Ortega, diretor regional da Apas.
"Bauru é uma cidade forte no ramo por ter supermercados regionais, além de ter atraído grandes redes, inclusive internacionais, para a cidade, sem contar os atacarejos. As empresas estão cada vez mais fortes e a cidade é considerada destaque nacional. Muitas redes daqui já ganharam prêmios. Temos muito orgulho de considerar Bauru como a capital mundial do supermercado", disse Erlon.